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Opinião

O mapeamento arquitet�nico de Alagoas

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Sem nenhuma preocupação de cometer injustiça, é possível dizer que ?Alagoas Memorável? é um dos mapeamentos arquitetônicos mais completos já realizados até hoje sobre Alagoas. Outras experiências abrangendo todo o setor cultural iniciaram, desde a década de 1970, por Cármen Lúcia Dantas, Pierre Chalita e Abílio Dantas, o próprio mapeamento do Litoral Norte feito por Dirceu Lindoso, o livro-álbum de Tereza Collor e outros, até mesmo editados pelo próprio Instituto Arnon de Melo. Nenhum outro foi tão específico. A obra é um inventário do acervo arquitetônico remanescente, desde o período colonial. Só isto justifica todo o trabalho. Que, aliás, não é fácil, afinal não se trata apenas da fotografia, da imagem de um edifício desconhecido que vem à luz, é a sua história. É, sobretudo, sua qualificação como bem cultural, como patrimônio alagoano. Depois, a leitura arquitetônica que registra os detalhes da sua composição, estilo e influências. E isto não é trabalho fácil, nem para qualquer um. Assim como enxergar sutilezas, orientar a fotografia para mostrar o que o olho desavisado não alcança é um trabalho de paciência! É inconteste a contribuição da obra para a pesquisa. Será, com certeza, um instrumento de uso diário num curso de Arquitetura, sobretudo na disciplina História da Arte. Assim como para os cursos de Guias de Turismo. É uma obra definitiva, cujo único pecado é ter apenas 10 fascículos e não 1000. Imagine registrar uma cidade inteira feito Penedo, por exemplo, um verdadeiro laboratório de estilos desde o colonial até o estilo funcional da década de 1960, com direito a ainda ver os móveis do tempo da construção do Hotel São Francisco, junto com os painéis de Lula Cardoso Ayres. Isto sem deixar escapar nenhum detalhe da magnitude da Igreja de Nossa Senhora da Corrente, considerada uma das mais belas do Brasil. Diria ainda que, se Alagoas Memorável não tem força de tombo, tem de registro e publicidade a qualquer futuro descaso com esse patrimônio cultural. Não sei se isto já é feito, mas as bibliotecas de Alagoas deveriam receber, pelo menos, um exemplar para seu acervo. E, finalmente, vale ainda ressaltar: seria com certeza um livro possante, pesado, de capa dura, talvez numerado que circularia entre algumas centenas de felizardos. Mas a opção pelo fascículo é muito mais democrática. Embora restrita aos assinantes do Jornal Gazeta de Alagoas, a obra atinge um número bem maior de leitores. (*) É escritor.

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