Opinião
O alerta Lagarde
Confirmando oráculos independentes sobre perspectivas da economia mundial, a chefona do FMI, Christine Lagarde, declarou há dois dias que ?a economia mundial entrou em nova fase perigosa?. No que foi considerado seu ?primeiro grande pronunciamento em Washington desde que assumiu o comando do FMI?, a francesa não tergiversou e foi direto ao ponto: ?Exatamente três anos após o colapso do [banco de investimentos]) Lehman Brothers [marco da última crise econômica mundial], os horizontes da economia estão agitados e turbulentos, à medida que a atividade global desacelera e os riscos aumentam?. O recado foi dado no endereço certo, a capital americana, pois o epicentro da recente, e da temida futura, crise global ali está situado. Assim como foi esse o ponto de partida do indelével crack da bolsa (de Nova York), que praticamente mudou o mundo ao explodir no ano de 1929. La Lagarde estava a falar, na quinta-feira passada, no centro do ninho da serpente, onde seguem nidificando ovos temíveis. As recentes dificuldades passadas pela administração Obama, quando da ameaça da bancada republicana em vetar o aumento do teto da dívida americana, são confirmação de que algo mais que serpentes aninha-se no coração econômico da única superpotência do mundo contemporâneo. E mais, o perigo não está apenas na máquina impressora de dólares: a chamada ?Zona do Euro? está, como diria a gíria brasileira, uma zona. Com razão, a czarina do FMI endureceu o tom em sua primeira fala oficial nos Estados Unidos. O mundo todo sabe que sofrerá terrivelmente as consequências de quaisquer tremores sérios nas estruturas financeiras dos Estados Unidos e da Europa nem tão unida assim. Sobre o dólar e o euro assentam-se as bases reais da economia mundial. A mulher forte do FMI pôs o dedo na ferida ao dizer que os líderes dos Estados Unidos e da Europa ?precisam deixar de lado a indecisão política e agir logo para evitar uma nova recessão, que teria consequências em todo o mundo?. Falou e disse.