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Centen�rio de Arnon de Mello

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Era o dia 19 de setembro de 1911, quando nascia, no Engenho Cachoeirinha, o menino Arnon, filho de Manoel Afonso Calheiros de Mello e Lúcia de Farias Mello. Era o nono filho do casal. A propriedade hoje faz parte do município de Rio Largo. Arnon viveu uma infância imensamente feliz, convivendo com a natureza, sentindo as belezas que lhe contornavam como o canavial, o banho de bica, as rezadeiras, a feira, as histórias de fantasmas e do gostoso mel de engenho. Freud dizia que somos frutos de nossa infância. Realmente, é uma verdade. Toda essa vivência maravilhosa que Arnon teve com seus irmãos, contornado pelo amor dos pais e o encanto da natureza, impregnou em seu ser o homem que ele foi, rico em dons espirituais como a tranquilidade, a mansidão e o espírito de solidariedade. Um dia, os pais de Arnon deixaram de ser os senhores dos dois engenhos (Cachoeirinha e Duas Bocas) e, muito felizes com a elevada cotação do açúcar no mercado internacional, resolveram residir em Maceió. De repente, como agora, as mudanças repentinas na economia mundial aconteceram e Manoel Afonso não mais exportou o seu açúcar, que virou melaço nos armazéns de Jaraguá. A fortuna estava acabada. Arnon, com 10 anos, foi trabalhar no mercado vendendo as frutas do quintal para ajudar a família. Graças a sua simpatia e inteligência, conheceu Luiz Magalhães da Silveira quando tinha 14 anos. Luiz Silveira era dono e diretor do Jornal de Alagoas. E o convidou para trabalhar com ele. E foi um sucesso. Foi revisor, repórter e, mais tarde, diretor. Trabalhou no Diário de Notícias do Rio de Janeiro, onde ganhou fama pelas excelentes reportagens produzidas. Formou-se em Direito pela Universidade do Brasil e, na Confeitaria Colombo e na Livraria José Olímpio, encontrava com frequência os grandes intelectuais da época para gostosos bate-papos. Sobral Pinto, Barbosa Lima Sobrinho, Carlos Pontes, Graciliano Ramos, Oswaldo Andrade e muitos outros. Representou o Brasil como jornalista em vários encontros internacionais. E, em Lisboa, casou-se com d. Leda, filha de Lindolfo Collor, primeiro titular do Ministério do Trabalho e Comércio do Brasil. De seu casamento, nasceram cinco filhos: Leopoldo, Ana Luiza, Leda, Fernando e Pedro. D. Leda foi um anjo em sua vida. Quando governador, ela conseguiu transformar Alagoas num palco de cultura nacional e internacional, época que ficou inesquecível na história de nossa vida cultural. Arnon foi membro da Academia Alagoana de Letras e fundador das Organizações Arnon de Mello, que hoje honram o setor de comunicações de Alagoas e do Brasil. Arnon de Mello foi Senador da República por três vezes e, quando governador, fez obras inesquecíveis para o bem estar do povo alagoano. Faleceu em 23 de novembro de 1983. Graças ao esforço e a amizade que tinha por Arnon, meu caríssimo amigo Carlos Mendonça produziu um extenso programa para a comemoração do seu centenário com palestras e diversas ilustrações, que fizeram os velhos amigos recordarem sua pessoa e os mais jovens o conhecerem melhor. Arnon de Mello foi o construtor de si mesmo e de sua própria obra. Era uma ensolarada manhã de setembro de 1980, quando fui visitá-lo na Gazeta com outros colegas médicos, e ele me fez o honroso convite para que eu escrevesse em seu jornal, o que faço até hoje com muita satisfação. Ninguém perturba a memoria dos que souberam caminhar pela vida, e com tranquilidade souberam morrer. Esta foi a estrada percorrida por Arnon de Mello. Que ele descanse em paz. (*) É médico ([email protected])

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