Opinião
Obras de campanha
Todos nós, habitantes da bela cidade de Maceió, esperamos que se priorize a execução de obras necessárias como solução para tantas mazelas que enfrentamos no nosso cotidiano. O político, mais do que ninguém, tem o feeling aguçado para reconhecer o que mais a população deseja e, como num passe de mágica, grita nos microfones que na primeira oportunidade atenderá aquele anseio ou guarda para prometer na campanha, discursando que ?se eleito for, farei essa obra no meu mandato!?. Fossem todas promessas realizadas, com certeza estaríamos noutro patamar de desenvolvimento. Vamos refrescar a memória. Quem não se lembra da despoluição do Salgadinho? Em plena campanha para a reeleição, tamponadas todas as entradas de água servidas do canal, maré cheia, pleno verão, dizem até que, na véspera, jogaram um caminhão tanque de solução de cloro no famoso riacho e eis o candidato dando um belo mergulho em sua foz, acompanhado por inúmeros aficionados. Entretanto, dias depois e de lá para cá, continuou o Salgadinho mais poluído do que nunca e mais sujo do que poleiro de pato. Salgadinho acima, com o nome de Reginaldo, também teve seus dias de glória com a highway animada pelos softwares nos programas eleitorais de horário gratuito na TV. Corria o ano de 2004 e, até agora, um jogando a culpa para o outro e nada de saneamento concluído, que amenizaria a poluição na linda Praia da Avenida, e nem tampouco a expressa que nos levaria ao aeroporto. Aproxima-se 2012, e as promessas começaram. Já se ?prepara? outra obra que poderá ser cobrada no futuro. Sem mesmo o VLT da parte baixa da cidade trafegar, o chamado Veículo Leve sobre Trilhos está prometido na Fernandes Lima até o campus da Ufal. A bem da verdade, esse é o tipo da promessa que muita gente gosta e que a ideia merece apoio. Imaginamos até o funcionamento do nosso pretenso metrô de superfície e o vemos circulando, embarcando e desembarcando passageiros em suas estações no canteiro central preservado. Estações localizadas nos binários retornos que os semáforos disciplinariam tanto o VLT como os veículos circulantes nas faixas à direita dos trilhos. A Av. Fernandes Lima livre dos ônibus, sem os transtornos de caminhões pesados e com transporte de massa rápido, eficiente e confortável, é vontade de todos nós. Mas aqui estou a sonhar com tudo o que é de bom para a nossa Maceió, e esqueço até quantas vezes fomos ludibriados com falsas promessas. Temos somente um ano para sermos convencidos. Ficaríamos satisfeitos em andar pelo VLT da parte baixa da cidade, que até aqui só o ministro das Cidades e seus ilustres convidados nele passearam. (*) É engenheiro ([email protected]).