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Voz feminina na ONU

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Inequivocamente, momentos existem, aparentemente creditados ao acaso ou escolhidos por mão Divina, que entram para a história. O fato de uma brasileira ser a primeira mulher na história a fazer o discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas é um desses acontecimentos. Depois da fundação da ONU, a mão feminina empalmou o poder com força, ampliando rapidamente sua presença no comando dos governos. A pioneira, pós 2ª Guerra, foi Sirimavo Bandaranaike, primeira-ministra do Sri Lanka, em 1960. Em seguida vieram Indira Gandhi, primeira-ministra da Índia, em 1966; Golda Meir, primeira-ministra de Israel, em 1969; Isabel Peron, presidente da Argentina em 1974; Margareth Thatcher, a Dama de Ferro, primeira-ministra britânica, em 1979; Maria de Lourdes Pintassilgo, primeira-ministra de Portugal, em 1979; Corazon Aquino, presidente das Filipinas, 1986-1992; Benazir Bhutto, primeira-ministra do Paquistão em 1988. Muitas dessas repetiram mandato, quase todas tornaram-se célebres, algumas foram definitivamente alcançadas pelas tragédias. Mas nenhuma, até ontem, havia tido a honra de proferir o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, pois a caligrafia do destino havia assinado a indicação do representante brasileiro para fazer a fala inaugural da primeira Assembleia Geral das Nações Unidas. E, justiça seja feita: Dilma Rousseff honrou a oportunidade. Foi aplaudida por cinco vezes num discurso claro, direto, onde não tergiversou em temas espinhosos como o do direito dos Palestinos a seu próprio Estado, reafirmando o dito pelo diplomata brasileiro Osvaldo Aranha, quando, na presidência da 2ª Assembleia Geral da ONU, em 1947, articulou e aprovou o projeto para a partição da Palestina, onde está proposta a criação de dois Estados: um judeu e outro palestino.

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