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Opinião

Sem computador?

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A um médico, durante exame clínico computadorizado, perguntei certa vez: ?Doutor, se de repente desaparecessem todos os computadores do mundo, o que vocês iriam fazer?? E o clínico respondeu-me de imediato: ?Padre, iríamos para casa descansar, porque nada mais teríamos a fazer e nem poderíamos.? Por esse exemplo fica configurada a absoluta necessidade, ? e até diria indispensabilidade ? do computador na vida moderna. Sua presença nota-se do consultório médico à sacristia das igrejas, dos escritórios e escolas até os lares, em vários ambientes, inclusive o quarto de dormir, sobretudo dos jovens. Sua presença é universal, seu uso constante e imprescindível. Mas, há algo a refletir sobre esse fenômeno moderno, que transformou nossa cultura. Uma charge, que recebi pela internet, retratava um jovem, sentado diante de um notebook, que interrogava o pai: ?Papai, lá em nossa escola, além do velho computador (vejam como eles já chamam o PC...), usamos também o iPad, o iPhone, o smartphone, o Youtube, o Orkut, o Facebook e outras redes sociais. E o senhor, papai, o que usava em sua escola?? O velho, sentado em sua cadeira de balanço, folheando o diário preferido, respondeu sisudo e circunspecto: ?A cabeça!? É assim mesmo... será que na escola de hoje, ainda se usa a Cabeça? Falando dos pífios resultados do último Enem, que ela classificou como ?desastre do ensino médio?, conhecida revista de divulgação nacional proclamava no título da reportagem, referindo-se aos alunos, que obtiveram tão desastrosos resultados: ?É preciso preencher a cabeça deles!? Fico pensando em dom Bosco, que escreveu tantos livros populares e era periodista das populares Leituras Católicas, mensalmente por ele editadas e escritas com caneta de molhar. Seus três primeiros biógrafos, Pe. Lemoyne, Pe. Amadei e Pe. Céria, escreveram também à tinta as 3577 páginas dos vinte volumes de suas ?Memórias biográficas?. Talvez o último, Pe. Eugênio Ceria, já terá utilizado a velha e boa máquina de escrever. O computador é bom, ou melhor, hoje é indispensável. Mas é uma máquina. Apenas uma máquina. Foi com um deles que escrevi este artigo e todos os meus opúsculos, a partir do terceiro. É por ele, pela internet, que se envia o artigo escrito à redação dos jornais. Mas, repito, é apenas uma máquina. Não mais de que uma máquina. Ele pode servir tanto para o bem, grande bem, como para o mal: para a corrupção dos costumes, para divulgar imagens eróticas, para organizar crimes, para destruir reputações e assim por diante. Sem computador, não. Mas o computador para nos ajudar a fazer o bem. Aí sim... (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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