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Opinião

Marcial Lima

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Naquela tarde de janeiro, após almoçarmos bacalhau no restaurante Leite, nos dirigimos para a sede do Galo da Madrugada, onde tínhamos reunião marcada com seu Ernesto,o presidente.Queríamos pedir a sua benção para o Bloco Pinto da Madrugada que estava para nascer. Fomos muito bem recebidos: nosso patrono nesta conversa fora o Gustavo Krause, ex-ministro do Planejamento, homem de prestígio na Mauriceia. Seu Ernesto apoiou vibrantemente a nossa iniciativa, abriu uma garrafa de uísque e ainda se comprometeu a vir para o batizado do Pinto, como ocorreu alguns dias depois. A maior surpresa para mim, para Eduardo e Braga Lyra, foi o fato de Marcial Lima declarar, na ocasião, que o bloco que ainda ia nascer e ainda ia ser batizado, já tinha um frevo pronto. Em seguida cantarolou:?Lá vem o Pinto, trazendo a felicidade! Lá vem o Pinto, para alegrar a cidade!?. Seu Ernesto adorou. Hoje penso que o sucesso do Pinto, provavelmente, não aconteceria sem este frevo que desde o início ganhou o gosto popular. Desde então, vão-se mais de 11 anos. Neste período, Marcial Lima foi o melhor companheiro que alguém poderia desejar. Sempre solícito e pronto para colaborar. Bem-humorado. Espirituoso. Incentivador e otimista, mesmo nos momentos mais difíceis, quando todos achavam que o bloco não tinha mais como sair. Os chamamentos e desafios que o arrebataram ? como a Fundação Cultural ?, não o abalaram. Sua constituição física frágil, que o fazia tomar cerveja morna e com parcimônia, era superada por uma determinação e capacidade de trabalho gigantescos. Qualidades que transmitiu para os filhos Juliana, Patrícia, Felipe e Thiago, todos eles profissionais conceituados em seus diversos ramos de atividade. Há cerca de dois anos atrás Marcial começou a apresentar uma discreta dificuldade para falar, uma mínima dormência na língua. Procurou auxílio médico e na véspera da saída do Pinto em 2009, estava com o diagnóstico de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Nefasto diagnóstico, que, não o impediu, todavia, de participar do desfile no dia seguinte. Foram quase dois anos de intensa luta contra uma doença agressiva, devastadora, pouco conhecida pela medicina e que não tem tratamento. Marcial, com o apoio de Maria e de seus filhos, a enfrentou com galhardia, coragem e fibra, como pouquíssimos a enfrentariam. Mesmo nos piores momentos, não perdeu o seu proverbial humor. Ele partiu precocemente. Será dificílimo continuarmos. Mas quando fevereiro chegar, na Pajuçara, sob o sol a pino e a multidão de 100 mil pessoas cantar o frevo de Marcial, ele estará conosco:com seu sorriso,sua alegria ? e todos nós, fugazmente, seremos novamente felizes. (*) É médico.

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