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Opinião

Mem�rias de um dinossauro

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Quando entrei no curso de Medicina da Ufal, em 1966, parte dos meus sonhos começava a se realizar. A minha faculdade tinha cerca de dezesseis anos e a própria universidade vivia a inocência dos seus cinco ou seis anos de fundada. No fim, éramos todos muito jovens. Alguns dos professores já eram frutos da safra de médicos formados na própria instituição. Cito alguns deles: Valéria, Ismar, Meroveu, Trigueiros, Raimundinho, Divaci, Zé Cândido, Calado, Constant, Zirelli, Terezinha, Arlene, A. Pinto, François, Albertão, H. Normande, Glauco, os saudosos Antunes e Úlpio e certamente outros mais. Boa parte dos docentes advinha do tempo da criação da faculdade, aqueles pioneiros que a gente não deve cansar de homenageá-los. Relembro Ib Gatto, A. Duarte, AC Simões, J. Lages, Gastão, Aristeu, Nabuco, J. Lyra, R Simon, M. Mota, A. Silva, Hélvio, J. Mafra, E. Bittencourt, Othederaldo, J. Pimentel, L. Sampaio, R. Ramalho, A. Cardoso, A. Antunes, Ascânio, A. Jatobá , JL Mendonça, AR Basto, M. Morceff, T. Rocha, G. de Macedo, C. Albuquerque, D. Calado, Y. Simon, os irmãos Pedro e José Reys, J. Calazans, V. Pontes, J. Guimarães, M. Teixeira, M. Pinto... Não nego o romantismo. Poucos professores utilizavam recursos audiovisuais ? geralmente próprios, e havia uma espécie de ?doação? ao método expositivo. Um dos maiores didatas da escola era o expoente Hélvio Auto. Nunca o vi projetando um slide. Era o gogó, o giz e o quadro. Um dia vi-me professor da faculdade. Passaram-se trinta e quatro anos até a aposentadoria. Foi um período de grande enriquecimento intelectual e afetivo. Sem falsas modéstias, internalizei um conhecimento sistematizado que certamente não teria alcançado fora das salas de aula, pelo dever e pelo orgulho de tentar repassá-lo da melhor forma possível. Os últimos anos foram curiosos. Mudanças no curso, retorno ao velho sistema seriado, ensejariam discussões ? para que esconder cansativas, repetitivas, estéreis até. Convidados de áreas não médicas davam seu show. Termos como ?problematização?, ?porto fólios?, ?encenações? e que tais começaram a ganhar corpo. Ensinar ?cidadania? passou a ser o objetivo do curso. Do tempo em que Medicina se aprendia olhando, ajudando e fazendo, e ainda acreditando não haver motivação maior para o estudante de medicina do que saber que daqui a pouco ele seria médico, confesso, comecei a me sentir um dinossauro. Para completar, o SUS seria o grande inspirador da parte, digamos, médica. (*) É médico.

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