Opinião
D�zimo
Dom José Carlos Melo, CM * Entre tantos desafios que se apresentam ao governo de nossa Arquidiocese, merece particular consideração o sério problema da administração. Com efeito, dela dependem em grande parte a realização de sua missão evangelizadora e a condigna sustentação dos sacerdotes e das atividades pastorais. É preciso criar e desenvolver uma mentalidade nova que promova a corresponsabilidade de todos. Biblicamente falando, todos os cristãos têm o dever de pagar o dízimo que é sinal de gratidão, devolução generosa de uma parte daquilo que de Deus recebemos; é partilha consciente e contribuição responsável. O profeta Malaquias afirma: ?Pode o homem enganar a Deus? Por que procurais enganar-me? E ainda perguntais: Em que vos temos enganado? No pagamento do dízimo e nas ofertas. Fostes atingidos pela maldição, e vós, nação inteira, procurais enganar-me. Pagai integralmente os dízimos ao tesouro do templo, para que haja alimento em minha casa. Fazei a experiência, diz o Senhor dos exércitos, e vereis se não vos abro os reservatórios do céu e se não derramo a minha bênção sobre vós muito além do necessário.? (Ml 3.8-10). Existe uma diferença entre dízimo e oferta. Dízimo significa 10%, a décima parte, a porção que o fiel consciente entrega à comunidade cristã a que pertence. Já a oferta tem outro sentido. Ela brota do coração generoso, como dízimo; os católicos têm o direito de fazer ofertas espontâneas, por ocasião da recepção dos sacramentos e sacramentais e outras circunstâncias. A verdadeira oferta e o autêntico dízimo nascem de uma disponibilidade a toda prova e de uma profunda comunhão eclesial. É uma experiência de amor à comunidade e evoca a consciência sobre as desigualdades sociais e a necessidade de criar relações econômicas justas. Preocupa-me como pastor constatar a situação constrangedora de algumas paróquias e ministros em dependência de favores na realização dos próprios trabalhos pastorais. Deste modo, o dízimo possibilita à Igreja a independência para realizar sua missão evangelizadora e pastoral, sem dependência de recursos políticos e ajudas de outras entidades, permitindo-nos andar de cabeça erguida. Mais uma vez afirmo: o dízimo é a maneira co-responsável e estável para manter as atividades pastorais, a manutenção do culto e a condigna sustentação dos ministros. Como passo concreto da realização deste projeto, comunico que o dízimo será o tema da Reunião do Clero no dia 1º de junho deste ano e do encontro para Agentes Pastorais e Movimentos no dia 25 de junho. Espero sua participação. (*) É arcebispo de Maceió