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Crer: a din�mica da escolha

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O jornalista e escritor Affonso Romano de Sant?anna, no seu opúsculo tempo de delicadeza, em um texto intitulado ?O caminho que não tomei?, lança a pergunta: ?Entre duas possibilidades, que caminho tomar??. E acrescenta: ?O fato é que a escolha é, às vezes, algo complicado?. A questão inquietante lançada por Romano Sant?anna recorda-nos o nosso destino inevitável: somos seres criados para escolher. Desde as coisas mais comezinhas, como eleger uma roupa, até as grandes decisões, como casar, ter filhos, seguir determinada profissão, somos chamados a optar. E quando falamos em escolher coisas, pessoas, estados de vida, evidentemente, estamos falando em deixar de lado outras tantas realidades. Afinal, escolher é abrir mão, é também renunciar. E eis um dilema tão humano, que é viver entre a fidelidade às realidades optadas e a saudade daquilo que nunca se viveu. Daí surgem os questionamentos, tais como: e se não tivesse casado? E se tivesse escolhido outra profissão? Crer também é uma opção. No contexto cristão, crer é escolher viver na amizade com Deus. Trata-se de uma escolha livre, envolvendo todas as dimensões da vida humana ? sentimentos, pensamentos, ações. Não se trata, portanto, de uma simples profissão de fé a um conjunto de verdades abstratas, frias e distantes. Crer é preferir viver a aventura de caminhar neste mundo no encontro pessoal com a pessoa de Jesus Cristo, e, nesse diálogo com Ele, iluminar todas as nossas demais decisões. Em outras palavras, optar por crer, no Cristianismo, gera em nós um ethos, um modo de viver. E se crer é decidir dialogar com Cristo, a nossa opção fundamental por Ele é dinâmica. Nem sempre seremos coerentes com o Evangelho, pois, infelizmente, somos assediados por aquela saudade de tudo o que deixamos de lado. E, muitas vezes, essa nostalgia nos vence, e aí, de fato, escolha e ação, crer e agir já se encontram numa incongruência gritante. O que fazer, então? Cabe-nos retornar à nossa opção inicial em um processo de conversão permanente àquilo que cremos. Assim, estaremos o tempo todo escolhendo a vida verdadeira. O nosso supracitado jornalista diz, ao final de seu texto, que nos cabe tornar o caminho escolhido mais belo e nele descobrir seus fascinantes mistérios. É verdade. Quem crê capta a existência na sua dimensão mistérica e impregna suas escolhas, constantemente pela conversão, com a presença santificadora de Deus. (*) É diácono ([email protected]).

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