Opinião
Puls�o pela vida
Um dia desses, parado em um congestionamento de trânsito no fim da tarde, avistei uma peça publicitária que dizia: ?A sua felicidade está aqui!?. A curiosidade me fez ler o resto da propaganda que tratava do lançamento de um novo condomínio. Aquilo me provocou além de risos, a vontade de escrever algo a respeito. A proposta apresentada na publicidade era de uma mercadoria representada por uma casa nova, num condomínio de luxo, com jardins exuberantes, ou seja, local ideal para reunir a família e os amigos. Porém, uma felicidade à venda. Mas será que é possível vender felicidade? Uma rápida consulta ao ?Aurélio? ajuda-me a delinear o raciocínio. Aquele dicionário mostra uma descrição que prevê ?qualidade ou estado de feliz; bom êxito; sucesso?. A principio é uma descrição rápida, porém provocadora diante da subjetividade do assunto. Vejamos: estado de feliz corresponderia a situações isoladas e não permanentes ou como explica um sucesso musical dos anos 1990: ?um estado imaginário?. Já bom êxito nos remete diretamente a conquistas, ao sucesso material. É verdade que quando jovens sonhamos com as conquistas do futuro. Para a maioria, ela será alcançada ao se possuir sucesso nos estudos, no trabalho, como também, nos amores, viagens e festas. Contudo, esses exemplos, no lugar de serem independentes, necessitam se somar em busca da felicidade. Mas como explicar as pessoas que possuem tudo isso e apresentam certa tristeza no olhar? Talvez seja justamente esse contraste de pessoas que nos faça entender que a felicidade está para além do que se pode descrever em conquistas. Ao contrário do que dizia a sedutora propaganda, a felicidade parece exigir menos matéria e mais espírito, apesar de sempre corrermos o risco de interpretar de forma diferente. Parece que no lugar de depender de conquistas materiais, ser feliz é um pré-requisito para essas mesmas conquistas. E isso já foi muito bem sintetizada na mensagem poética: cuide do seu jardim que as borboletas virão. Arrisco-me a interpretar que a felicidade é algo muito especial que descobrimos como nutrir dentro de nós mesmos, e que corresponde a uma espécie de pulsão pela vida e, consequentemente, para o estado de felicidade. A arte de viver exige necessariamente a consciência de coexistência, de boa convivência e do amor como sentimentos essenciais; de permanente aperfeiçoamento pessoal, que permita alcançar o ser mais e não apenas o ter mais. Acreditar em si. Acreditar que é impossível ser feliz sozinho. Ah! solidão maltrata. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.