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Greve saud�vel?

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Menos mal, a paralisação não é de um serviço de emergência. Mas é inegável que mais uma vez o público, especialmente a parcela menos aquinhoada da população, paga a conta. Desta vez são os médicos do Programa de Saúde da Família que cruzam os braços. Deve ser igualmente registrado um ponto positivo na condução da grave em tela: segundo as lideranças sindicais, nos municípios onde as prefeituras estão negociando, a paralisação queda-se suspensa. Uma decisão correta, privilegiando o diálogo sem abrir mão do direito de ir à greve (num serviço de saúde que não de emergência) na hipótese de insucesso na construção de um acordo. Para as áreas de emergência e urgência toda paralisação (mesmo mantendo-se os 30% em funcionamento) é polêmica, pois negar atendimento a 70% dos pacientes nestas situações, entre a vida e a morte, é terrível. E inaceitável. Mas o caso em questão é outro, num serviço de base, preventivo. Destaque-se, entretanto, que essa prevenção é essencial. O Programa de Saúde da Família (PSF) é uma conquista cidadã que precisa ser melhor valorizada pelo Poder Público. O esforço para esse segmento deve ser no sentido de serem criadas as condições de maiores investimentos serem ali alocados. Os dispêndios para um programa desse tipo precisa ser, efetivamente, em mais de um nível. Os erários municipais, estaduais e federal precisam unir-se para o custeio de projetos desse quilate. Cada um contribuindo com o que possa estar de acordo com suas condições, lógico. Felizmente, os médicos do PSF não submetidos a extenuante carga horária dos plantões de 24 horas (uma atrofia que o movimento sindical deveria combater com mais força). Mas é indiscutível que piso salarial precisa ter valor, ser adequado e digno, mesmo que não alcance os sonhos de remuneração da categoria. Enfim a mobilização apresenta-se como saudável. Resta torcer para que assim continue, evitando sacrificar (ainda mais) a saúde da população mais sofrida.

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