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Opinião

Compreens�o com pessoas especiais

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Não será exagero dizer que quando há um excesso de opiniões sobre um assunto é sinal de que a verdade merece ser buscada. Dislexia foi um dos temas de discussão de amigos neste fim de semana. Por esta razão, inicio essa reflexão citando um trecho de um site especializado no assunto: ?Dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente...?. Permita-me, leitor, relatar os enfoques que foram discutidos: a dislexia torna-se mais evidente na época da alfabetização, embora alguns sintomas já estejam presentes em fases anteriores. Apesar de receber instrução convencional, oportunidades socioculturais iguais e possuir inteligência normal, a criança falha no processo de aquisição da linguagem. Ou seja, independe de causas intelectuais, emocionais ou culturais. A ciência tem estudado os intrigantes desafios para compreensão da dislexia. Com o avanço tecnológico, e com destaque ao apoio da técnica de ressonância magnética funcional, as conquistas dos últimos dez anos têm trazido respostas significativas. Dislexia é, então, uma deficiência de aprendizagem muito mais percebida na leitura, mas que também atinge a escrita e a soletração. Possui base na neurologia e existe uma incidência expressiva de fatores genéticos. Merece atenção a opinião de especialistas, que tento resumir: ?Pelas diversas características que apresenta, a dislexia deve ser diagnosticada e orientada por um grupo multidisciplinar de profissionais. Entretanto, o maior desafio está em modificar os métodos de ensino e o ambiente educacional para atender as necessidades específicas da pessoa com dislexia. A paciência se torna fundamental por parte dos educadores, assim como a compreensão de que os possuidores dessa deficiência têm capacidades e potenciais similares às outras crianças?. É erro comum confundir dislexia com má alfabetização, desatenção do aluno, condição socioeconômica ou mesmo baixa inteligência. É fato reconhecido que a dislexia não implica em falta de sucesso no futuro. Prova disso são pessoas disléxicas que obtiveram grande sucesso profissional. Um diferencial, para elas, consiste na necessidade de um jeito especial de aprender. Na escola, trata-se da convivência com um grupo que vive em um mundo particular e tão seu. Ao Ministério da Educação, no meu entender, cabe uma orientação sobre esse assunto; às escolas, em consequência; às famílias. É necessário vencer preconceitos existentes. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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