Opinião
Cuidado com a pressa
Regulação do mercado financeiro, um dos pontos mais delicados no complexo cenário econômico mundial, foi antecipada em questionamentos pela imprensa nos primeiros dias da visita da presidente do Brasil à Europa. Evitando pisar em cascas de banana, Dilma Rousseff honrou o cordão umbilical mineiro e defendeu um marco regulador para os mercados financeiros, mas não apoiou a proposta europeia da criação de um imposto global sobre as transações bancárias. Para o grande público, a ideia de cobrar (mais) um tributo ao sistema bancário é indiscutivelmente simpática, afinal são ululantes os estratosféricos lucros desse segmento em todo o mundo. Recolher um pouco mais de quem ganha fortunas por minuto soa bem para quaisquer ouvidos que não sejam de banqueiros. Mas uma proposta como essa, apesar da simplicidade de sua formulação e da simpatia natural junto à opinião pública, precisa ser estudada com muito mais atenção. Apesar do sistema financeiro e bancário estar, há muito tempo, globalizado, cada banca é uma banca, cada país tem seus compromissos (em todas as extensões dos prazos). A primeira pergunta a ser feita sobre uma proposta dessas é quem verdadeiramente vai ganhar com essa iniciativa. Na intrincada teia bancária globalizada, nosso País ganha ou perde com a aplicação da medida proposta. Algum pragmatismo é preciso, até porque de boas intenções o inferno está cheio, como bem alerta a filosofia popular. Regular os mercados financeiros é uma questão vital para o mundo contemporâneo, pois esses espaços continuam a ser o epicentro das grandes crises. Mas essa regulação não pode ser feita exclusivamente para responder aos dilemas do chamado primeiro mundo. E toda proposta apressada, aprovada de afogadilho, tende a conter elementos geradores de problemas futuros. Seguro morreu de velho, como também vaticina a filosofia popular. Um pouco mais de estudo, um pouco mais de maturação e poderemos checar se uma aparente ótima ideia tem, efetivamente, esse conteúdo.