Opinião
Olhar da ONU
Relatório divulgado anteontem indica que o Brasil é o terceiro País mais violento da América do Sul e o 24º em todo mundo nesse ranking mórbido. E mais, o citado estudo confirma Alagoas como o Estado brasileiro onde mais são cometidos homicídios por número de habitantes. Não chega a ser novidade essa colocação alagoana, mas o mais significativo está na chancela desta pesquisa: A ONU é quem a assina. Naturalmente, não foram órgãos das Nações Unidas que foram a campo fazer a pesquisa. O relatório da ONU se baseia em dados recolhidos, compilados e analisados em cada País. No caso brasileiro, informações foram repassadas pelo Ministério da Justiça. Estarão absolutamente corretos os critérios adotados pelo Brasil para medir a violência em todo seu território nacional? Não estão sendo praticadas opções de metodologia que findam por distanciar as principais cidades brasileiras do topo do ranking de assassinatos (como não considerar latrocínios, mais numerosos em grandes centros como Rio e São Paulo.)? São dúvidas procedentes e que necessitam de esclarecimentos. Mas esses esclarecimentos sobre as metodologias não podem ser usados como desculpa para ignorar a gravíssima situação de insegurança vivida pelos Estados ?campeões oficiais? em violência. Pelo contrário: estas colocações arrasadoras, como a alagoana, devem servir de base para as autoridades trabalharem com multiplicada dedicação ao esforço de reverter tamanha ignomínia. Alagoas vive uma realidade terrível em termos de insegurança pública. Pouco importa se o Rio de Janeiro, em verdade, tendo que usar tanques do exército na ocupação militar de favelas, esteja pior que Maceió. O que importa aos alagoanos é que essas pesquisas comprovam a tragédia por nós vivida. As diferenças metodológicas aplicadas merecem ser esclarecidas, mas primeiro, antes de qualquer coisa, precisamos, sob quaisquer parâmetros de avaliação, baixar as ocorrências violentas em solo alagoano.