Opinião
Vamos para Brogod�?
É sabido que o Ministério da Previdência está trabalhando no sentido de eliminar os critérios de concessão de pensões por morte, dificultando a situação dos que delas dependem. Embora não se tenha ainda um projeto devidamente estruturado, divulgam-se algumas regras: a) período mínimo de contribuição; b) o dependente terá de provar que não pode se sustentar sozinho; c) haverá limite de tempo para que as viúvas jovens recebam os valores; d) proibir o acúmulo de pensão com outro benefício; e) limitar a liberação de pensão integral para casos específicos. Confesso, sinceramente, que a notícia me deixa apreensivo, pois, juntamente com outros aposentados, fui vítima de uma dessas inovações do governo petista. No tempo em que ingressei na magistratura, o juiz, ao aposentar-se, fazia jus a uma vantagem de 20% que seria acrescida aos seus proventos, o que era justo e humano, haja vista que, na idade avançada, normalmente tem-se a despesa ampliada, principalmente com gastos médicos e remédios. Em 2003, aposentei-me como desembargador e, em vez de ver os meus proventos mais gordos, deles foram retirados 11% mensalmente, que se destinam à Previdência Social, sem que a ela eu estivesse ou esteja vinculado. E o pior é que não temos nenhuma culpa pelos rombos que aumentam cada vez mais, por culpa de maus gestores que se locupletam dos cargos que nela exercem. A magistratura ganha bem, em razão de os seus vencimentos serem atrelados àqueles que são pagos aos membros do Supremo Tribunal Federal. Mesmo assim, não vive como muita gente imagina, porquanto quase 40% são descontados em favor do imposto de renda e do INSS, isso sem falar no órgão de classe, planos de saúde e deveres afins, o que, no somatório, aproxima-se de 50% de descontos. Imagine quem vive de pequenos salários! Enquanto isto, a corrupção vai apodrecendo o País, por culpa de políticos inescrupulosos que descobrem caminhos mais curtos para chegar ao enriquecimento ilícito, o que concorre para aumentar a miséria e empobrecer algumas classes que vivem razoavelmente bem. Recentemente, tivemos alguns exemplos dessa podridão que vem assolando o País, quando alguns Ministros de Estado e assessores foram exonerados por terem sido flagrados com a boca na botija. Ao contrário do presidente Lula, que de nada sabia e não tomava conhecimento do que se passava nas entranhas do governo, em matéria de corrupção ? a exemplo do mensalão ?, a presidente Dilma vem abrindo os ouvidos ao que denuncia a mídia e vem colocando no olho da rua alguns espertos travestidos de administradores. O mais interessante é que esses predadores da moral pública ainda têm o desplante de ameaçar a presidente, com a possibilidade de negar-lhe apoio, caso não feche os olhos e os ouvidos ante o amontoado de safadezas que vivem a praticar. A base aliada de que Dilma dispõe vive ameaçando embargar-lhes os passos na presidência se continuar a agir como vem agindo. Só falta, agora, exigir a criação do Bolsa Corrupção para lhes assegurar mais tranquilidade. Pior do que a miséria e o analfabetismo que imperam no País, a corrupção ganha disparado. Revolta saber que os responsáveis por essa tragédia moral são os que recebem os nossos votos e cinicamente vivem enganando a tudo e a todos. Além dessa falta de dignidade que tem permeado a atuação dos políticos brasileiros, em todos os níveis, no momento a inflação começa a trocar de roupa para entrar em cena em todos os lares brasileiros, o que é preocupante. Do jeito que a coisa flui, acho que o sonho de todo brasileiro honesto é mudar-se para Brogodó, onde o imbróglio é total mas não se fala em corrupção, pois, a não ser um prefeito hilário, ali não há vereadores, deputados, nem senadores. (*) É desembargador aposentado e jornalista.