Opinião
Chamados a escolher o Reino de Deus
Nas palavras de Jesus, encontradas na parábola da festa das bodas (cf. Mt 22,14), muitos são aqueles chamados a fazer parte do reino de Deus, mas poucos são os escolhidos. O Reino de Deus é a presença de Cristo em todo aquele que nele crê e nele é batizado. Essa presença de Cristo dá-se pela força do seu Espírito, que, conforme nos diz o apóstolo Pedro, faz de todo batizado um participante da natureza divina (cf. 2Pd 1,4). Tal participação gera naquele que crê, segundo o apóstolo Paulo, os frutos do Espírito: caridade, bondade, alegria, paciência, afabilidade, temperança (cf. Gl 5,22s). O Reino de Deus, portanto, não é uma coisa ou uma época vindoura, ideal. É Cristo habitando no homem, é alegria, paz e justiça no Espírito Santo (cf. Rm 14,17). E todos são convocados, vocacionados a participar desse reino. Toda a humanidade é predestinada à vida em Deus. Ninguém é verdadeiramente humano enquanto não se abre à vida espiritual; ninguém é livre, de fato, alijando-se da presença santificadora do Espírito de Deus. Aqui fica evidente: Deus não cria alguns indivíduos para a salvação e outros para a perdição, para viverem eternamente distantes de seu reino. Tal ideia é contrária ao pensamento bíblico e à tradição cristã. Um Deus que assim agisse não estaria criando homens livres, mas pobres seres, cujas escolhas não seriam levadas a sério. No entanto, embora todos sejam convidados ao reino, o convite precisa ser aceito, acolhido com o coração, com a alma, com a existência em todas as suas dimensões. Por isso, são poucos os escolhidos. Não é Deus quem escolhe esses poucos. Poucos são os dispostos a caminhar na amizade com Ele. Em um mundo repleto de apelos e opções religiosas dentro do próprio cristianismo, os cristãos são chamados a ser fiéis à escolha realizada, por que ser cristão não é simplesmente professar com a boca o nome de Jesus. Também não é transformá-lo em um pronto-socorro para as agruras do cotidiano. Na parábola acima mencionada, o rei convida a todos, bons e maus, para o banquete nupcial de seu filho. Mas, ao encontrar um dos convivas sem o traje adequado, o rei manda-o colocar fora da festa (cf. Mt 22,10-13). Ou seja: Deus convida todos ao reino de seu Filho, porém não reconhece como participante de sua vida aqueles que não responderam ao seu chamado com toda a sua existência. É cristão de verdade quem vive proclamando pelas atitudes que, de fato, está em Cristo. E quem nele está é uma criatura nova (cf. 2Cor 5,17). A convocação de Deus está feita. Escolhamos a vida em Cristo e nela permaneçamos. Assim, seremos mais humanos. (*) É diácono ([email protected]).