Opinião
Cuidemos de nossas crian�as
Apesar de a Unicef considerar o Dia Mundial das Crianças no mês de novembro, no Brasil a data é comemorada há décadas em 12 de outubro, que aos poucos foi se estabelecendo pelas investidas comerciais das fábricas de brinquedo. Contudo, a reflexão que eu trago neste artigo está para além das motivações mercadológicas da comemoração, pois busca pensar no que temos de feito com nossas crianças. Sou um otimista e jamais perco a esperança de melhores dias para crianças, jovens e adultos neste mundo de tantas complexidades. Entretanto, a realidade nos leva a tecer algumas considerações da terra de vivências humanas. Se pararmos para pensar que, dos quase sete bilhões de habitantes do planeta, mais de dois bilhões são crianças, ou seja, meninos e meninas na faixa-etária de 0 a 12 anos de idade que, em sua maioria, são pobres, apenas isso já seria suficiente para não termos motivos para comemorar. Se adentrarmos mais um pouco no tema e pensarmos que pobreza, neste caso, não significa não poder comprar o mais novo modelo de video game, mas sim passar fome, não ter moradia e escola, isso fica ainda mais sério. Mas não precisamos ir até o outro lado do mundo para pensarmos nas crianças. Aqui mesmo, no nosso meio, vemos casos tão sérios que mais se assemelham aos países africanos. Mas não é apenas a pobreza material que aflige nossas crianças. Têm aquelas que, mesmo possuindo tudo, têm fome de atenção e carinho e são órfãs de pais vivos. Nestes casos, excedem presentes oferecidos e falta amor. Muitas de nossas crianças são educadas pelos programas televisivos e aprendem a se relacionar com outras pelas redes sociais oferecidas pela internet. Os pais? Muitas vezes ocupados demais para falar aos filhos de suas dificuldades e equívocos. Têm outros tipos de crianças também. Aquelas cuja infância é preservada. Aquelas que, mesmo com influências negativas, conseguem viver as etapas saudáveis do desenvol- vimento, uma coisa de cada vez, experimentando o sucesso e a frustração que nos tornam homens e mulheres capazes de lutar para mudar as coisas possíveis de mudar e aceitar as diferenças e particularidades do outro que fazem a vida humana ser tão bela e cheia de desafios. Mas, graças ao Criador, há os pais que compreendem sua missão e buscam formar bem seus filhos, apoiando seus voos da imaginação e a maneira particular de perceber a vida; que evitam o amadurecimento precoce, fora do momento adequado. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.