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Opinião

Solidariedade musical

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A música é planetária, com certeza até interplanetária, universal. No céu, deve haver música em volume moderado, suavemente espalhada aos quatro cantos, com altíssima qualidade de som. No inferno, deve tocar música mono, a toda altura, com alto-falantes distorcendo, chiando, mas, assim mesmo, música. É do agrado de todos. As plantas, comprovadamente, dizem os que pesquisaram, crescem mais e melhor em presença de música clássica. Valorizamos e damos mais preferência às músicas da nossa juventude. Valsas, polcas e rumbas têm sua importância e são pedaços de um tempo das nossas vovós e bisavós.Um bolerão dançado rostinho colado, dois para lá, dois para cá, sempre fez a cabeça de muita gente, e ainda faz. Estes eu dancei muito, na Fênix, no Iate, no bar do Vicente e até no saudoso Jaraguá. Twist, rock, samba, salsa, merengue, tudo é bom. Raras exceções matam a música. Tati Quebra-Barraco é uma. Eguinha Pocotó, Lacraia e similares são outras. Música transmite emoções. Ninguém fica imune. Cada música em seu tempo e ambiente. Não dá para tocar o gênio Luiz Gonzaga no Carnaval. Um belíssimo Pavarotti mataria a mais animada terça-feira gorda. Imagine um Chico ou Djavan no São João de Campina Grande. O DJ sairia de lá na pancada. Observo muito o comportamento e o gosto musical das pessoas. Quem não gosta de música bom sujeito não é, ou é ruim da cabeça ou doente do pé, já diz o ditado. Pelo gosto musical, podemos analisar uma pessoa. Seu temperamento, educação, cultura, nível socioeconômico, talvez até caráter. Cada momento musical deve ser curtido totalmente. Deixar a emoção contida na música lhe envolver é uma experiência rica. A primeira vez no sexo, se tinha música, ficou mais lembrada. Ocasiões ruins também serão mais lembradas se havia música. Destas não gostaremos para o resto da vida. Tem música, já disse, de todo tipo e para toda ocasião. Nos templos religiosos, a emoção é alimentada pelas canções. Virou moda. Outra coisa. Já fui a muitos funerais. Em alguns havia música, em outros não. Nos que havia música, a tristeza ficava mais triste, a saudade mais forte, e o pranto, tão necessário, mais solto. Meu irmão Laurinho, com sua emoção, talento e solidariedade, sempre que é solicitado toca seu violão e canta em reuniões alegres e tristes. Tem esse dom. Como eu sei o bem que a música faz nas horas de sofrimento, potencializando as emoções, digo em tom de brincadeira, mas de verdade, valorizando sua atitude: Mano, você faz tão bem às pessoas, leva tanta paz, cria um clima tão envolvente que deveria lançar dois CDs, Chorando Contigo e As Melhores de Sétimo Dia. (*) É Engenheiro.

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