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Bancos & greves

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Segue a greve dos bancários em todo o País. E em Alagoas o cenário é o mesmo: agências cerradas, especialmente invioláveis continuam as portas dos chamados bancos estatais. Apesar das facilidades da internet, os usuários passam por crescentes dificuldades frente às indispensáveis movimentações cotidianas, como pagamento de contas, recebimentos, saques e depósitos. No caso dessa lide, inegável a adiposidade do patronato. O sistema bancário brasileiro, como no resto do mundo, tem acumulado fortunas em lucros. E aqui, ao contrário alhures, quase inexistentes têm sido as bancarrotas. Sucede-se no Brasil, há anos, um processo voraz de concentração, com poucos grandes estabelecimentos bancários adquirindo seus congêneres de menor tamanho. Quebradeira não há; os que somem do mercado têm sido absorvidos, a peso de ouro, pelos que crescem e aparecem cada vez com mais força. Esse cenário, acrescido com a inevitável redução dos postos de trabalho em função do avassalador aumento da automatização dos serviços, alimenta o desconforto da categoria bancária. A revolta, inevitável, tem explodido, em verdade, em escala muito menor que a previsível. A parada em curso, que se aproxima das duas dezenas de dias, é uma comprovação dessa realidade contraditória entre a folga de caixa dos bancos e o aperto de vida dos bancários. Como em todas as greves realizadas no segmento de serviços, o público é o primeiro prejudicado e o único a não receber quaisquer benefícios (sequer reposição das perdas) ao final do processo. No caso dos bancários, entretanto, é importante prestar-se atenção ao dano menor que ao causado por paralisações noutros serviços (educação, transporte, saúde...), graças às opções automatizadas, especialmente às modalidades disponíveis via internet. A acessibilidade digital veio para ficar e para modificar comportamentos. Os banqueiros, há muito, perceberam isso. Mas bancários e usuários ainda patinam nesta nova realidade, que, ao fim e ao cabo, mudará o perfil de atitudes tidas como imutáveis, como serviços bancários e, especialmente, as greves.

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