Opinião
Col�gio Batista Alagoano
O mangueiral era muito frondoso, praticamente encobria o céu, dava farto sombreado e, na época da safra, as mangas caíam em profusão, sob o fustigar dos ventos que assolavam a área de recreio destinado ao curso primário do Colégio Batista Alagoano. Área privilegiada, na beira da barreira, que dava para o mar distante e para o cais do Porto de Jaraguá. Um espaço amplo, com horizontes a perder de vista. Não me lembro se chupávamos as mangas que caíam; lembro que meu lanche era levado de casa, naquelas lancheiras de outrora, onde cabiam um bom sanduíche feito em casa pela mãe e ainda um guaraná Fratelli Vita, fabricado em Recife, hoje desaparecido. Alguns pixotes mais agoniados lanchavam com tamanha sofreguidão que o guaraná enchia-se de pedaços de pão, de mortadela, que subiam no líquido da garrafa enquanto eles desciam o líquido pela goela. As professoras eram compenetradas, sérias, algumas até muito rigorosas, mas não me recordo de ter assistido a nenhum castigo físico, e é claro que sempre existiram os alunos de maus bofes. Depois, para o ginásio, além de estudar e passar de ano, se ultrapassava um muro alto, para outra parte do prédio, mas que também dava para a barreira e para o mar. Região privilegiadíssima. Bafejada por ventos e brisas, que atenuavam os calores de março e de abril. No curso ginasial, o professor Petrônio, que insistia em fumar, para angústia do Professor Jetrho, o diretor, em eterna campanha pela adimplência dos descompromissados; Corinto Campelo, que, sempre que algum aluno não entendia e, desavisado, lhe perguntava: ?Como, professor??, ele respondia: ?Pode comer, meu filho!?. O Plácido, o Djalma e tantos outros que a memória me furta. Nos recreios, o futebol de salão, agora sob sol inclemente; o olhar adolescente descobrindo as pernas das meninas sob as saias vermelhas rendadas. A descoberta da biblioteca, no prédio novo, tesouro indevassado, onde relegados estavam Machado e José de Alencar. O preparo para os desfiles de 16 de setembro: em plena rua do Comércio, o jipe onde ia a rainha do colégio, logo na nossa frente, quebrou em plena Rua do Comércio, onde o time de basquete, vestido com aquele vistoso uniforme importado de cetim vermelho, atônito, correu para acudir e empurrar o veículo,não sob aplauso, mas sob a ainda hoje inclemente vaia dos espectadores. Colégio Batista Alagoano, da barreira que dava para o mar, das brisas e ventos,dos horizontes amplos: colégio que a tantos educou e formou; que pena, que lástima, teu fechamento! Contigo vai uma parcela do melhor tempo de nossas vidas! (*)É médico.