Opinião
Bravo! Mil vezes bravo
O que pode fazer a tecnologia em prol da arte, da beleza, da cultura? Na verdade, não existem limites para tal. Ainda estou maravilhada com o espetáculo que assisti na tarde de 09 de outubro passado, numa das salas de projeção do Shopping Pátio, em Maceió. Será mesmo que foi lá que nós estivemos? Não. Nós estivemos em Moscou, num teatro bem equipado, assistindo à competente e sólida companhia do Ballet Bolshoi. E que espetáculo grandioso! Explico melhor: a Live Mobz transmitiu ao vivo, diretamente de Moscou, o balé La Esmeralda, o que se constituiu uma oportunidade ímpar, pois foi a primeira vez que esse balé foi apresentado, na íntegra, em nosso País. Que privilégio para as poucas pessoas que ocupavam aquele cinema (menos de cinquenta). O Brasil conhece apenas trechos da obra. Eu mesma já remontei, por duas vezes, um trecho desse balé para alunas da nossa escola, e já trouxe dois grandes bailarinos para dançar Diana e Acteon, o famoso grand pas de deux que foi acrescentado à obra em 1934, na versão da mestra russa Agrippina Vaganova (1879-1951). La Esmeralda é um balé que possui três atos e cinco cenas. Inspirado no famoso romance de Victor Hugo, O Corcunda de Notre Dame, foi apresentado pela primeira vez em Londres, em 1844, com coreografia de Jules Perrot. A ação se passa em Paris, no final do século 15, e conta a história da cigana Esmeralda. A música era, àquela época, tão somente do italiano Cesare Pugni (1802-1870). Na Rússia, a primeira récita se deu em São Petersburgo, em 1849. A versão de Marius Petipa (1818-1919), coreógrafo de tantas outras obras como Dom Quixote, La Bayadáre, O Lago dos Cisnes, Raymonda e A Bela Adormecida, estreou em 1886, também em São Petersburgo, com revisões e acréscimos musicais de Riccardo Drigo. Segundo o crítico musical, conferencista e professor da UFRJ, Rodolfo Valverde: ?O balé La Esmeralda, de longa duração, é raramente apresentado na íntegra, com exceção da Rússia e países do leste europeu [...], embora alguns dos excertos principais sejam habitualmente dançados pelas principais companhias de balé ao redor do mundo?. Ao adentrarmos a sala de projeção, minutos antes da sessão, já fomos presenteados a imagens do teatro sendo mostradas ao vivo: o público entrando, a orquestra afinando seus instrumentos e o aquecimento dos bailarinos por trás da cortina, ainda fechada. A sensação foi a de que estávamos realmente num teatro, na expectativa do início do espetáculo. Os cenários e figurinos estiveram impecáveis e o elenco estava formado por bailarinos de técnica precisa e exuberante, principalmente os dois solistas de Diana e Acteon (Anastásia Atashkevich e Vyacheslav Lopatin) e a bailarina Maria Alexandrova que fez a cigana Esmeralda. Todos excelentes intérpretes. Sem falar nas ricas coreografias que, diferentemente da obra de Victor Hugo, levaram a um final feliz. Para quem perdeu a chance de assistir esse espetáculo de alto nível, aqui vai o convite: Dia 20 de novembro teremos A Bela Adormecida, mais uma vez com o Ballet Bolshoi e diretamente de Moscou. Aliás, teremos uma programação excelente até junho de 2012. Baletômanos ou não, não percamos esta oportunidade. (*) É bailarina e coreógrafa.