loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Greve e as novas mercadorias

Ouvir
Compartilhar

De alguns anos (ou meses?) para cá, é fácil encontramos vendedores ambulantes de milho cozido no copinho descartável, os quais não só ofertam esta iguaria a preços módicos, como também com os cuidados higiênicos necessários ? milho ?dessabugado? e no copinho descartável, talvez, seja a mais nova mercadoria deste mundo em constante mercadização, para não dizer ?commodification?. Entretanto, quando tratamos da mercadoria que erigiu este mundo ? a força de trabalho ?, é difícil não falarmos de greve, principalmente das greves como recurso para aumentar o preço (aumento salarial) desta importante mercadoria, porque valoriza as demais mercadorias, e fundamentadora, porque tem um histórico sem igual, é comum fazermos comparações do tipo ? há dez anos, meu salário equivalia a 20 salários mínimos, e hoje vale 4 SM. Com base nesta comparação (quando muito, com o índice de inflação), as greves são deflagradas sem que as pessoas percebam que o aumento do preço de qualquer mercadoria é individualizado, particularizado, sendo que o conjunto desses aumentos de preço é que gera a inflação. Sendo assim, a greve (para aumento salarial), na maioria das vezes, implica num aumento de muitos e vários outros preços, consolidando assim a inflação, principalmente se houver vinculação, como no exemplo dado, com o Salário Mínimo. Discutir sobre a greve como recurso para reivindicação e/ou mudança estrutural da economia (seja local, regional ou nacional) implica em discutirmos as novas versões ou falácias criadas pelos grevistas para, desse modo, sustentar ou até promover greves. Em outras palavras, diz-se que Lula, que liderou greves no passado, agora se tornou ?patrão? e impede a promoção de greves. Ora bolas! Se existe conversa-mole, esta tem que ser uma, mesmo porque, se continuarmos com a comparação acima referida, é visualizar o contrário, ou seja, se hoje o salário ou rendimento de qualquer pessoa equivale a menos salário mínimo do que outrora, é porque houve aumento real do salário mínimo e esta foi uma política socioeconômica compromissada (e cumprida) logo quando da campanha eleitoral tanto do governo Lula como do governo Dilma. Afinal, se este mesmo salário ou rendimento que equivalia a muito mais salários mínimos em tempos atrás, também exigia muito mais do primeiro para conseguir comprar um telefone, sendo que hoje este salário ou rendimento supostamente rebaixado consegue adquirir muitos telefones, tanto fixos como celulares. Daí as comparações e vinculações serem falsas. A questão hoje é como controlar socialmente ? ou seja, sem ampliar ainda mais o aparato estatal, a burocracia ? os preços em geral e, ao mesmo tempo, reduzindo (ou até eliminando) essa burocracia que só faz emperrar as ?coisas? e impedir o progresso. Mesmo porque, se os teimosos grevistas continuam insistindo com as falsas comparações, podemos também achar que não acreditam ou não querem ver as novas mercadorias, como o milho cozido no copinho, por não poderem chupar o sabugo. Que curtam a nostalgia, que chupem o sabugo, mas que não impeçam o progresso. (*) É prof. FEAC/UFAL ([email protected]).

Relacionadas