Opinião
�frica em foco
Nesta terça-feira, começa oficialmente a reunião de cúpula do grupo Ibas, formado pela Índia, Brasil e África do Sul. O encontro se realiza em Pretória, África do Sul, e contará com a presença do trio de Chefes de Estado dos países integrantes, ou seja, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e o presidente sul-africano, Jacob Zuma. Apesar das notórias dificuldades vividas pelo continente africano, onde à pobreza endêmica de grandes regiões, como a subsaariana, se somam guerras tribais fratricidas, graves tragédias da saúde pública (como Aids e subnutrição), é inegável que a África cresce como referência cada dia mais importante no tabuleiro dos grandes interesses internacionais. E nesse cenário de crescente interesse sobre o continente onde a espécie humana teria surgido, a África do Sul tem despontado como liderança e referência para políticas para toda a região. É muito positivo o estreitamento dos laços entre o Brasil e os países africanos. A presença da Índia nessa tríade sinaliza uma composição particular dentre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Não é de agora que a diplomacia brasileira presta mais atenção na África. Os movimentos mais intensos, como se penitenciando e fazendo o caminho inverso dos famigerados navios negreiros, foram iniciados ainda no período militar, especialmente nos dois últimos governos (Geisel e Figueiredo). O rumo foi perseverado a partir da redemocratização e ganhou velocidade no governo Lula. Hoje, o Brasil conta dom 37 embaixadas nas 54 nações africanas, e, dessas, 19 foram abertas ao longo dos dois mandatos de Lula. Confirmando o interesse estratégico pela África, apenas quatro países possuem mais embaixadas n?África que nosso País: Estados Unidos (49 representações), China (48), França (46) e Rússia (38). Em bom momento, portanto, o Brasil fortalece suas ligações com o continente Africano. Trata-se de uma opção de grande valor estratégico.