Opinião
O perigo do g�s
O centro do Rio de Janeiro tremeu semana passada, quando uma explosão provocada por vazamento de gás num restaurante, instalado de maneira incorreta e proibida, destruiu histórias e vidas. O perigo do gás parece estar em destaque ultimamente: até o dia da explosão no restaurante, a manchete era o shopping de São Paulo, que há 30 anos funciona em cima de um lixão e corre o risco de explodir. Todos lembram a tragédia no Morro do Bumba, Rio de Janeiro. As moradias também estavam em cima de um lixão desativado, e tudo veio abaixo após explosões e chuvarada, matando várias pessoas. Onde estava a fiscalização em todos os casos? Quem são os culpados? Engenheiros e fiscais não aprenderam as lições básicas de química? Creio que Jesus hoje diria: ?Quem ouve esses meus ensinamentos e não vive de acordo com eles é como um homem sem juízo que construiu a sua casa sobre o lixão, ou que guardou botijões no porão? (Mateus 7.26). Paulo teve juízo, e por isto escreveu: ?Eu joguei tudo fora como se fosse lixo, a fim de poder ganhar a Cristo? (Filipenses 3.8). Já os fariseus fizeram o contrário e foram advertidos por Jesus: ?Vocês não ouviram o que as Escrituras Sagradas dizem? A pedra (botijões) que os construtores rejeitaram (jogaram no lixo) veio a ser a mais importante de todas? (Mateus 21.42). Eles edificaram sua vida espiritual sobre aquilo que Paulo rejeitou e rejeitaram o que Paulo encontrou. Daí a confissão: ?Eu já não procuro mais ser aceito por Deus por causa da minha obediência à lei. Pois agora, é por meio da minha fé em Cristo que eu sou aceito? (Filipenses 3.9). Pode ser duro de ouvir, mas qualquer coisa que tentamos fazer para nos redimir perante Deus é escória, detrito que produz um gás que vaza, contamina o ambiente, explode e mata. É como desafiar a lógica e o bom senso e encher um local fechado com botijões de gás. Ao ser resgatado dos porões da religiosidade humana, Paulo desabafou que tudo o que queria agora era viver o poder da ressurreição de Cristo (Filipenses 3.10). É o que acontece quando alguém tem uma vida nova, edificada sobre a pedra fundamental que é Cristo ? vida que não precisa ser interditada igual ao shopping e não corre o risco de ir pelos ares, como o restaurante do Rio. O perigo do gás só é fato quando coisas básicas e elementares são ignoradas; parece ser assim com Cristo também. Não dá para ignorá-los, precisamos de ambos para viver e seguir em frente! (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana em Maceió.