Opinião
Mais mulheres no poder
Os debates sobre a igualdade de gênero ganharam reforço com a eleição da primeira mulher à presidência da República, que consecutivamente estreou a presença feminina em outros espaços, por exemplo, a recente abertura da Assembleia Geral da ONU. A importância da participação das mulheres nos espaços de poder e decisão vem ganhando espaço na sociedade e na mídia. A igualdade de gênero é questão de mulheres e homens. Desorientado é o movimento que busca a conquista de direitos e emancipação da mulher se enxergar o homem como inimigo e responsável pela desigualdade existente. O verdadeiro e único responsável é o capitalismo. O livro A origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, de Engels, fala sobre a evolução do matriarcalismo ou comunismo primitivo para o patriarcalismo, transição influenciada pelo início da propriedade privada e acúmulo de capitais. Desde então, passamos pelo escravismo, feudalismo e capitalismo, séculos que confinaram as mulheres no interior de seus lares para garantir os herdeiros da manutenção da propriedade privada. No início do século passado, a mulher começou a lutar pela sua emancipação de forma mais ostensiva. Saiu do trabalho doméstico para o mercado de trabalho, passou a se expressar socialmente, conquistou o direito de votar e ser votada e segue lutando para consolidar e ampliar seus diversos direitos. Vivemos num século que poderá ficar marcado como o Século das Mulheres. Além da luta por educação inclusiva, autonomia econômica e igualdade no mundo de trabalho, moradia digna e infraestrutura social nas zonas rurais e urbanas, mídias igualitárias, democráticas e não discriminatórias, é prioritária a luta pelo aumento de mulheres nos espaços de poder e decisão. As cotas femininas exigidas às coligações marcaram avanço significativo; não fossem estas, hoje, não teríamos nem 30% de candidaturas femininas ? se bem que ainda não temos de fato esse percentual, mas garantiu estímulo maior às mulheres. Na Câmara Municipal de Maceió 23,8% das vagas são ocupadas por mulheres; na Assembleia Legislativa de Alagoas, é de apenas 7,4% a presença feminina; nos governos estaduais, 13%; nas Prefeituras, 8%; nas Secretarias de governo, 20%; no Senado, 15%; e na Câmara Federal, 9%. Aumentar a participação da mulher nesses espaços é a garantia de efetivar e consolidar os direitos mencionados no parágrafo anterior. Mais que lutar pelos direitos das mulheres, lutar por mais mulheres nos espaços de poder significa lutar pela democracia e igualdade! (*) É estudante da Ufal.