Opinião
Gravidez n�o planejada preocupa OMS
A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem uma preocupação global: por que o índice de gravidez não planejada continua tão alto, se temos tantos métodos anticonceptivos à disposição? Uma das hipóteses é que as mulheres podem não estar usando o método mais adequado para seus organismos e suas realidades. Na prática clínica, percebemos que é comum mulheres chegarem ao consultório relatando que fazem uso de anticonceptivos indicados pela amiga ou que não tenham sido prescritos por um especialista. Tomar anticonceptivos inadequados pode dificultar a adesão ao tratamento e aumentar a chance de gravidez não programada, além de causar danos à saúde, como trombose, distúrbios menstruais e aumento da pressão. Para evitar as duas situações, é preciso que as mulheres conheçam o funcionamento do próprio corpo e saibam que, hoje em dia, existem vários tipos de métodos anticonceptivos, que atendem a diferentes perfis. Para que isso aconteça, é fundamental que o médico aconselhe e informe sobre todas as opções disponíveis, incluindo mecanismo de ação, eficácia, periodicidade e efeitos colaterais, para que possam escolher o melhor anticoncepcional de forma personalizada. Na consulta, o médico deve fazer algumas perguntas fundamentais para determinar o melhor método, levando em conta a condição de saúde da paciente, seus hábitos e seu estilo de vida. Entre elas estão: você se esquece de tomar a pílula?; você tem sangramento de escape ao longo do ciclo menstrual?; você é fumante, hipertensa, diabética, sofre de enxaqueca ou teve câncer?; você acha seu método cômodo? No mercado, há opções de métodos hormonais que se encaixam em diferentes perfis. O uso de contraceptivos em todo o mundo aumentou de 54% em 1990 para 63% em 2007, especialmente em países da Ásia e da América Latina, segundo a OMS. O aconselhamento é um elemento essencial para a qualidade de atenção no planejamento familiar, garantindo que o intervalo entre os partos e o número de filhos possa ser adequado para cada mulher. A recomendação de um contraceptivo muda de acordo com os hábitos e a fase da vida; é preciso levar em consideração alguns fatores como a idade, nível sociocultural, doenças crônicas, efeitos colaterais e disponibilidade de informações. O acesso à informação sobre os métodos anticonceptivos também ajudaria a prevenir gravidez precoce, abortos e as taxas de mortalidade de mulheres em decorrência de abortos ilegais ou mal sucedidos. Segundo a OMS, 13% das mulheres que morrem durante o parto são em decorrência de abortos ilegais. O planejamento familiar é a chave para retardar o crescimento insustentável da população. Cerca de 200 milhões de casais nos países em desenvolvimento gostariam de adiar ou parar de ter filhos, mas não usam qualquer método de contracepção. Desvincular o prazer que o ato sexual nos proporciona dos objetivos reprodutivos é vital para que a sexualidade possa ser desfrutada de forma intensa e com responsabilidade. (*) É professora de Ginecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).