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Opinião

Ainda pecado?

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Em sua reunião do dia 19 deste mês, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) determinou uma inédita segunda baixa na Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Derrubada em 0,50%, a taxa Selic foi de 12% a 11,50% ao ano. A famigerada taxação básica já havia sido tropeçada na reunião anterior, numa baixa que chocou o universo usurário nacional e internacional, depois de anos seguidos de marcha batida em aumentos mensais lentos, graduais e seguros para a agiotagem nativa e alienígena. Reduzir juros, obviamente, é medida agradabilíssima ao grande público, usualmente escorchado por meio dos cheques especiais, empréstimos consignados ou normais, crediários de toda espécie ou quaisquer outras formas de usura. Quem não deve algo sob algum juro? Mas a medida, apesar de simpática, não pode ser decisão simplória, pois mexe com toda a economia. Se não tomada com acerto, a alegria popular pode se transformar em agonia. Não nos esqueçamos de que o fantasma da inflação continua a pairar sobre nós. Doutro lado é indispensável saber que o Brasil ainda é o País com a maior taxa de juros do mundo. O juro básico brasileiro (11,50% ao ano), mesmo daí descontada a inflação, o que a reduz para reais 5,5% ao ano, ainda é o dobro do cobrado pelo segundo colocado no ranking do ágio: Hungria, com reais 2,3% ao ano. Ainda alugamos dinheiro a um preço maior que o dobro pago pelo principal concorrente. Isto deverá, em tese, garantir a permanência de somas altas (daqui e alhures) circulando no sistema financeiro brasileiro. Ao mesmo tempo, qualquer redução no valor dos juros estimula a ampliação dos investimentos no setor produtivo, gerando novos empregos e criando fontes sustentáveis de renda. Em tese, está tudo certo. O diabo é que na prática a teoria finda sendo outra. Torçamos para que a ancestral usura, que um dia já foi pecado grave, não tenha sido anistiada por Deus.

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