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Opinião

Caminhos da Medicina

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Mesmo quando Roma dominava o mundo,tinha no exercício da Medicina em suas extensas fronteiras, um dilema: os registros sobre Arcagato (219 a.C), o primeiro médico romano, ficaram conhecidos pela pratica de uma medicina elevadamente polemica. De tal forma eram as limitações da medicina romana, a latere às exigências de um império que dominava o mundo, que César (49 a 44 a.C) incentivou a imigração de médicos gregos ? cujo helenismo,mais avançara nas ciências humanas ? para compartilhar o atendimento aos cidadãos romanos.Tão reconhecida foi a contribuição dos médicos gregos à saúde romana, que durante o Grande Expurgo perpetrado por Augusto em 6 a.C, os únicos estrangeiros que puderam permanecer em solo romano e ainda com privilégios, foram os médicos. De Roma para A.J.Cronin, romancista de muito sucesso, que também era médico, registre-se que em suas memórias, relato de vários momentos cruentos de sua experiência profissional, um deles,em muito se assemelha à nossa realidade atual. Cronin conta: em uma viagem como médico a bordo de um navio da linha para a Índia, uma terrível epidemia de varíola grassou entre os tripulantes e passageiros no convés inferior, enquanto na primeira classe os passageiros caiam na farra, bebiam, dançavam,faziam sexo alucinadamente; inteiramente alheios à tragédia que ocorria nos decks inferiores. Tal qual acontece hoje em nosso País, onde diariamente se repetem na mídia as pavorosas denúncias mostrando repetidas tragédias, envolvendo pacientes e famílias que, vivendo nos andares inferiores da sociedade, dependem unicamente do SUS para atender a todas as suas necessidades. A fração mais privilegiada da sociedade, no andar superior, alheia permanece, como se nada tivesse a ver. Só cobra e critica. E o cotidiano na vida da maioria dos médicos que trabalham com o SUS é de angustiante convivência com esta malvada realidade. Trabalhando em unidades que atendem ao SUS vivem um horror: número excessivo de pacientes,precárias condições de trabalho, remuneração aviltada ao extremo.Compartilham intimamente um mundo crudelíssimo, com o qual pouquíssimas outras profissões travam o mínimo contato. E precisam ter respostas e soluções para problemas que vão muito além das doenças de seus pacientes. Precisam escutar suas angústias, seus temores,seus lamentos sobre suas infindáveis necessidades. Os ouvem,os aliviam,os orientam e ainda lhes são solidários: Medicina e sacerdócio continuam a coexistir. Na semana dedicada aos médicos, salve todos os colegas que com dedicação, seriedade, responsabilidade e ética,honram e dignificam a Medicina e o ser humano (*) É médico.

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