Opinião
A via da feira
Aberta na quarta-feira, a 15ª edição da Feira Camponesa compre seu destacado papel de apresentar para a sociedade os resultados de uma parte dos programas de Reforma Agrária em Alagoas. Vários podem ser os programas, os métodos e estratégias para a consecução de uma Reforma Agrária. Quaisquer que sejam os caminhos, porém, só se chegará a um destino satisfatório se a produção da terra ?reformada? corresponder às expectativas de quem nela trabalhe e de quem dela precise se alimentar. Repartir a terra pode nada significar para as aspirações de inserção social. Para integrar o novel produtor rural se faz necessário que a terra repartida produza em quantidade e qualidade suficiente para atender às demandas de mercado, respondendo assim aos anseios dos campônios por uma vida mais próspera, com dinheiro no bolso e cidadania para dar e vender. Repartir a terra não pode ser um ato de filantropia agrária. Dividir o solo só faz sentido se for parte de um processo completo, integral, de inserção do despossuído rural no mundo real, ou seja, no mercado capitalista. A partição das propriedades rurais não deve servir para semear pobreza, espalhando nos lotes pobres sem terra de forma que daí venha a brotar pobres com terra. E nada como uma feira para se testar os resultados do trabalho produtivo. Apenas as milenares leis do mercado podem assegurar o sucesso dos empreendimentos, garantindo o retorno necessário para a remuneração do labor e o indispensável custeio da próxima safra. Sob a chancela da respeitável Comissão Pastoral da Terra os assentamentos rurais alagoanos vêm, mais uma vez, à cidade para comercializar seus produtos. Ótimo. Este é o caminho para a sustentabilidade: O mercado. Ser vitorioso nessa via é a garantia para a libertação definitiva da filantropia governamental e/ou não governamental.