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Estive em Vi�osa

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No último 13 de outubro, estive em Viçosa, minha ?pátria de nascimento?, erradamente considerada ?o berço e o túmulo da república dos Palmares?. Estive em Viçosa não unicamente para participar das festividades dos seus 180 anos de emancipação política, ser recebido como um imperador sem império, um rei sem palácio, um conde sem castelo e aplaudido por uma minoria e de forma tão decadente que a acústica sequer provocava eco. Estive em Viçosa não para ser admirado por pessoas que se comportam de acordo com o infame ?princípio de Goebbels?, pois apesar das promessas, se contentam em não ter como satisfazer suas mais elementares necessidades básicas, uma vez que ainda moram num abrigo, se alimentam de um taco de pior sem ela com um punhado de farinha azeda, não sabem que estão ali para aplaudirem a aristocracia que comanda, ou seja, famílias que além de controlar e orientar a opinião pública por meio de propaganda, acumularam fortunas pessoais invejáveis, detêm posições importantes nos segmentos que constituem, em sua grande maioria, o executivo e os mantêm na miséria de sempre. Estive em Viçosa, não acompanhado de cinza, carvão e fogo e ainda mais investido do medievalesco comportamento, cuja principal função é, em pleno século 21, discriminar sarracenos de cristãos, sentar na principal tribuna de honra do ?Coliseu? e, inerte, esperar que aconteça o luciferino espetáculo onde feras famintas se alimentam de inocentes indefesos e gladiadores enlouquecidos se digladiam diante de uma plateia onde, quem pugna pela continuidade da desagregação e dos conflitos entra em êxtase, enquanto os partidários do bom senso, da paz e dos elos dos tempos idos ficam atônitos, pois repudiam atitudes que envolvam toda e qualquer espécie de violência ou discriminação. Estive em Viçosa, não para ver quem desconhece seu poder de contenda, não oferece nenhuma resistência, não mais possui nenhum tipo de entusiasmo, são donos de uma solidão interna com gravidade superior a que existe dentro de um buraco negro e cujas cabeças estão anos-luz de distância da maneira de pensar de quem os manipula. Estive porque senti falta de meus familiares, da doce e amável terra de meus ancestrais e, principalmente, devido à saudade que quase arranca do meu velho peito o coração cansado que ainda consegue bater com mais intensidade toda vez que leio o hino da consanguinidade dos descendentes do ?Capitão Sinhô?, símbolo de todos aqueles que, no passado, beberam da fonte que jorrava valentia cívica e amor a Pátria. Quem esquece de onde veio não sabe o que faz. (*) É professor da Ufal.

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