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Steve Jobs: g�nio ou tolo?

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Steve Jobs era um grande inventor, um brilhante empresário e um mestre do marketing, para ser gênio, faltava apenas morrer. Agora, consumado esse ultimo estágio exigido pela nossa estranha sociedade, chancela-se o título de revolucionário. Chamaram-no até de Leonardo da Vinci do século 21. Apesar de ter começado a revolucionar o mundo dos computadores ainda no século 20, foi na primeira década deste século que ele criou seus produtos mais adorados. O iPod, o iPhone e o iPad, dizem, mudaram o mundo. Será? Esquecem aqueles que enxergam na maçã carcomida uma cruz de uma nova religião que apenas um quarto do planeta vive nesse mundo. Conforme definiu uma vez a ONU, esse pedaço do mundo é o que dirige seu próprio carro e viaja de avião nas férias. Os outros três pedaços vivem em outra realidade. Andam de ônibus, sonhando em comprar uma moto (situação dos menos favorecidos nos países das Américas e Europa), andam de bicicleta para economizar o dinheiro da condução (tipo de pobreza mais intensa ainda predominante na Ásia) ou andam a pé, mas com medo de terem seus chinelos roubados, pois não poderiam comprar outro (pobreza extrema típica da África). Pensando nessa multidão sem acesso à ?iCoisa? nenhuma, que talvez nunca tenha comido nem uma maçã de verdade, penso se talvez alguém que tenha tirado milhões de pessoas da pobreza, ou tenha evitado o adoecimento de outros tantos desvaecidos, não seria muito mais importante. Não quero desmerecer o messias de ninguém, mas sou mais FHC e Lula, sou mais Carlos Chagas e Oswaldo Cruz. Sou mais o socorrista que tirou dos escombros ontem um bebê soterrado após um terremoto. Preferências à parte, um detalhe da biografia de Jobs, até pouco desconhecido, mostra claramente como as melhores ideias podem conviver pacificamente com as maiores burrices na mesma cabeça. Foi revelado que, por sorte, seu tumor de pâncreas era curável, mas que ele desperdiçou a chance quando recusou a cirurgia, pois não queria ter seu corpo ?violado?. Outro detalhe interessante da biografia é que ela foi escrita, segundo o autor, ?para que meus filhos me conhecessem, pois nunca tive muito tempo pra ficar com eles?. Escrevo este texto em um iPad, mas sem grande admiração pelo seu criador. (*) É médico.

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