Opinião
Vale do S�o Francisco: um monstro adormecido
Historicamente e economicamente, as regiões ao redor dos vales no mundo levam vantagens sobre as demais e apresentam condições mais favoráveis para o desenvolvimento. No Brasil não é diferente. E, no Nordeste, bem pertinho da gente, no Submédio do Rio São Francisco, no polo de fruticultura Juazeiro (BA) ? Petrolina (PE), constata-se a força econômica e social de uma região que está sabendo tirar proveitos do potencial do Vale do São Francisco. Então, por que lá e aqui não? O que é necessário para desbravar o potencial do Baixo São Francisco que compreende os Estados de Sergipe e Alagoas? Planejamento e, acima de tudo, vontade política dos governos federal e estadual. Vejamos o potencial do nosso Estado: Somente em Alagoas, a região do Baixo São Francisco, com 200 km de extensão, possui 50 mil hectares de terras disponíveis para irrigação. Uma área compreendida de solos férteis viáveis para a exploração da fruticultura além do desenvolvimento da atividade da piscicultura. Contudo, a exploração do Baixo São Francisco no território alagoano se restringe a dois projetos: Boacica, nos municípios de Igreja Nova e Porto Real do Colégio, e Itiúba, em Porto Real do Colégio, respectivamente, constituídos de três mil e de 900 hectares irrigados cultivados de cana-de-açúcar, de arroz e de criação de peixes. São dois projetos de impacto positivo para as comunidades ribeirinhas dos municípios. Porém, ainda é muito pouco para que o Velho Chico nos oferece gratuitamente: a água. O Estado de Alagoas dispõe só de região de várzea ? planície que acumula água no período de enchentes do Rio São Francisco e propícia para a criação de peixes, cultivo de arroz e outras culturas ? cerca de 3 mil hectares. Por aí dá para medir como o vale está adormecido. O sono profundo esconde também o potencial turístico da região. O Rio São Francisco oferece todas as condições navegáveis para a exploração turística fluvial da foz, em Piaçabuçu, até Piranhas, passando pelas cidades históricas de Penedo, Traipu e Pão de Açúcar. Tecnicamente falando, até agora mencionamos a região jusante (que está abaixo da Hidrelétrica de Xingó). A região montante (que abrange a área do lago de Xingó), também está adormecida esperando ações concretas para alavancar seu potencial turístico e pesqueiro. O lago Xingó, na área que compreende os municípios de Piranhas, Olho d?Água do Casado e Delmiro Gouveia, tem capacidade para produzir 6 mil/toneladas/ano de peixes. Um volume expressivo capaz de criar um polo de piscicultura e de gerar empregos para os alagoanos. Ainda tem mais: a região dos cânions pode gerar emprego e divisas para os alagoanos a partir de uma rota turística amparada no turismo de aventura, histórico e cultural. Basta o poder público e a iniciativa privada darem as mãos. Alagoas ainda há tempo de agirmos. O Vale do São Francisco está a nossa espera. Nos próximos meses analisaremos as regiões os potenciais dos vales do Paraíba e do Mundaú. (*) É deputado estadual.