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O perfume da morte

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O perfume que se mistura na última despedida a um ente querido, entre abraços e amparo mútuo, uma forma de misturar diversos aromas, não resume o título desta reflexão, como também não resume aquele descrito pelos cientistas canadenses e publicado no Jornal Evolutionary Biology, sob a tese de que a morte tem um cheiro peculiar. Ambos não sintetizam o perfume que de fato ajuda a superar a morte. O que é característica diante da morte, especialmente em nossa cultura ocidental, é a presença de flores enviadas no intuito de se solidarizar com a dor e também levadas aos cemitérios neste dia, uma forma de preservar boas memórias. Flores, além do perfume agradável que exalam mesmo mortas; com seu colorido lembram vida; elas estão presentes nas melhores celebrações, pois transformam duplamente um ambiente. E se flores tem todo este poder, a coroa de flores parece ir além. Os jogos olímpicos realizados na Grécia em 2004 simbolizaram bem o significado da coroa, concedida àqueles que concluíram com êxito cada etapa e foram vencedores. Uma tradição milenar desde os tempos do Apóstolo Paulo: ?Todo atleta que está treinando aguenta exercícios duros porque quer receber uma coroa de folhas de louro, uma coroa que, aliás, não dura muito. Mas nós queremos receber uma coroa que dura para sempre? (1ª Coríntios 9.25). Se por um lado as flores podem por um curto período exalar e perfumar ambientes, outras mesmo sendo coloridas por muito mais tempo, não exalar perfume algum por serem artificiais. Flor que combina com a morte, só faz sentido quando deixa seu perfume: ?Nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo? (2ª Coríntios 2.15a). O perfume da morte só tem sentido no amor e oferta de Cristo, como sacrifício agradável a Deus (Efésios 5.2), pois só ele pode vencer a decomposição, mau cheiro e o desespero diante deste momento. Quando o Apóstolo Paulo, divinamente inspirado, dedica todo o capítulo 15 da primeira carta aos Coríntios ao fato da ressurreição de Cristo, e consequentemente da nossa, ele lembra que a flor de Cristo nunca deixa de perfumar, nem mesmo murcha. A coroa que dura para sempre é a certeza da ressurreição, todo esforço para preservar na fé vale a pena e é nesse perfume ? a fé em Cristo ? exalado e deixado pelo ente querido, que encontramos consolo e temos a seguinte certeza: ?A morte está destruída! A vitória é completa! Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu poder de ferir?? (1 Coríntios 15.54b,55). Este é o perfume que não só ajuda a superar a morte, mas a vence e traz consolo! Tenha em seu jardim o bom perfume de Cristo e permita-o exalar, todas as outras flores e aromas são de plástico diante desta realidade! (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana em Maceió.

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