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Opinião

A advocacia e o eterno retorno da inf�mia

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Somos mais de 700 mil advogados em todo o Brasil. Deste contingente, menos de 1% foi representado perante tribunais de ética da OAB. Ou seja: é mínima a parcela de operadores de direito acusados ou envolvidos com atos ilícitos ou infracionais. Entretanto, os 99% restantes são por vezes maltratados, como se fossem ?criminosos? ou ?bandidos?. E esta incompreensão, por vezes advinda do inconsciente coletivo, parece ter tocado até o Poder Judiciário. A psicologia explica que pequenos gestos podem revelar traços marcantes da conduta humana. Traços que são social e culturalmente expostos por microatitudes cotidianas. E já que o tema é a percepção injusta sobre o advogado, citemos um triste exemplo com base em um tratamento aparentemente banal que nossos tribunais nos dispensam: a desconfiança que recai quando requeremos, com base em nossa prerrogativa profissional, a retirada de autos processuais. Quando deste requerimento somos ?escoltados? por cartorários que, embora gentis, representam a desconfiança viva da instituição para conosco ou a sinalização de que necessitamos de uma constante vigília. Cartorários que ?protegem? processos dos quais queremos uma única cópia, inofensiva e vital para nosso trabalho. Neste rol de atos e ditos aparentemente inocentes que atestam como somos pejorativamente vistos e avaliados, reside o conjunto de casos lamentavelmente jocosos, de infâmias ou de calúnias envolvendo a remuneração de nossa categoria. Trata-se aqui da nociva, repugnante e infeliz consideração de que advogado é sempre ?mercenário?, ?sem palavra?, ?egoísta?, ?vilão? e dado a ?ludibriar? o próximo. Lutemos contra estas inverdades! Advogado que respeita ? que são aqueles 99% sem mácula alguma em nosso tribunal de ética ? merece todo o respeito! E quanto aos que respondem perante à Justiça, o Judiciário saberá punir os culpados e inocentar os inocentes. E registre-se que, entre as categorias profissionais, os advogados estão entre os que mais são demandados injustamente em nossos Tribunais de Justiça, face à solidez legal de seu ofício. ?Trago a esta Corte duas coisas. A verdade e a minha cabeça. Quando ouvires a primeira, podeis dispor da segunda?. Assim o advogado francês iniciou a sua fala para defender os nobres que foram guilhotinados pela Revolução Francesa. Logicamente que o advogado teve a cabeça cortada, juntamente com seus clientes. Tudo pela ousadia em defendê-los. Parece-me que vivemos tempos igualmente perigosos, como que num movimento sombrio de eterno retorno. (*) É Conselheiro Federal da OAB e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

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