Opinião
Vai, pai
Sou um herói, poderoso, tudo eu sei. Mais forte dos homens, simplesmente o máximo. Pai João conserta. Pai João faz. Pai João isso, pai João aquilo. Fui assim para os meus filhos, hoje sou para minha pequena neta. Pais são mesmo assim. Para filhos pequenos, somos heróis, para os adolescentes, uns superados, e depois, para os mais velhos, sábios. Pais erram. Erram por motivos os mais diversos. Erram até por muito amor. Não existe escola para pais. Fui revisar meus erros cometidos, e sei que falhei algumas vezes com os filhos. Por estar trabalhando, faltei a algumas festinhas importantes na escola. Dia dos Pais, e meu filho com três anos ficou me esperando com os olhinhos cheios de lágrimas, e nas mãos o presentinho que ele tinha feito para mim. O que eu fiz de tão importante nesses dias que falhei? Nem fiquei mais rico, nem mais sábio, nem mais nada. Com os mais velhos falhei mais. Era mais novo, trabalhava mais, sei lá mais o quê. Talvez todos eles hoje nem se lembrem, mas eu sim. Somos nós, os pais, responsáveis muito mais do que pensamos. Podemos, com uma palavra, botar um filho um passo adiante, ou para trás. Pai é missão sagrada, e os filhos devem ser a maior razão da nossa vida. Tempos atrás, li no jornal o sacrifício supremo de um pai e de uma mãe para salvar um filho. Deram a própria vida. Morreram lutando contra os homens que vieram executar seu filho. Não pensaram nem um segundo, e, como loucos, como pais, de mãos limpas, sem a menor chance, só com a vontade de dar tempo ao filho de tentar fugir, avançaram e tombaram mortos. Ato supremo de amor, dar a vida pelo seu filho pecador, ato de Cristo. O mundo está em uma profunda crise. A ganância, a mentira a droga. Parece até que não há mais esperança para o homem. Tememos por nós, e muito mais por nossos filhos. Lembro-me que, há muitos anos, um homem, um mestre na sua profissão, disse que para este mundo só havia uma solução: chover pólvora três dias, e no quarto cair um raio. Ainda não. Cada dia pode ser igual ou diferente dos outros. A maioria depende de empenho e trabalho, mas fatos acontecem independentes da nossa vontade, e sobre os quais não temos controle. Com os filhos, é a mesma coisa. Tentamos, e temos a obrigação de tentar para eles o melhor, mas o melhor para nós pode não ser o melhor para eles. São diferentes de nós, e entre si também, e a mesma receita pode não servir para todos. Com filhos só não se erra se dermos atenção, amor e tempo. Tem que ser assim. (*) É engenheiro.