Opinião
Velho e Novo Mundo
Sustentáculo histórico do que hoje é conhecido como ?primeiro mundo?, a Europa está comendo o amargo pão, amassado por ela mesma, da tentativa de igualar desiguais e artificializar uma paridade (inexistente) entre economias substancialmente distintas. A crise grega é apenas a ponta do iceberg num agitado mar de dificuldades. Em verdade, do multifacetário conjunto que forma a União Europeia e a Zona do Euro, apenas a Alemanha ostenta uma realidade econômica de pujança. Até a respeitável França padece de percalços em seus intestinos econômicos. A crise que está em erupção na Grécia faz, igualmente, o solo tremer em Portugal, Espanha, Itália e outros países emblemáticos do Velho Mundo. Analistas respeitáveis (viventes no Primeiro Mundo) já começam a disseminar um rótulo que, apesar de humilhar bandeiras que já dominaram boa parte do mundo, é emblemático da atual realidade: ?Europa pedinte?. E mais: esses analistas aprofundam esse conceito para vaticinar que quem pede não pode escolher a quem pedir, acrescentando que a ?Europa pedinte? terá de estender a cuia para países considerados, há até muito pouco tempo, típicas nações terceiromundistas, como o Brasil, Índia e China. Quem afirma isto, dentre outras vozes, é John Kirton, professor da Universidade de Toronto e diretor do G20 Research Group (instituição dedicada a estudar as principais economias do planeta). Para o mundo, o mais importante é que a crise na Europa seja sanada antes de se espalhar pelos quatro cantos da Terra; para os países emergentes, o mais importante é não cair no canto de sereia de que agora são ?os donos da bola? . Brasil, Índia e China têm muitas responsabilidades, e a primeira delas é para com a economia de seu próprio país. Ser solidário, nesse cenário, exige muita competência, certa frieza, boa pontaria e boca fechada.