Opinião
O homem que conheci
Exatamente há meio século conheci um cidadão cujo semblante não me saiu da memória. Lembro-me muito bem da sua fisionomia. Parece-me até haver sido hoje quando o vi em cima da carroceria de um caminhão servido de palanque político. Eu, ainda adolescente e residia na Cidade de Pilar. Uma tarde quase noite estava no meio de uma grande multidão e perguntei a pessoa que estava ao meu lado quem era aquele homem que discursava de uma maneira eloquente sobre aquele veiculo estacionado em praça pública? De pronto respondeu-me o interlocutor: é o doutor Arnon Afonso Farias de Mello, ou simplesmente Arnon de Mello, o nosso Governador. O discurso do político em referência lembrava mais a oratória dos renomados paladinos da civilização greco-romana. O poder de convencimento e a força de persuasão entrelaçavam-se em demanda à grande multidão presente. A partir daquele instante passei ouvi-lo e refletir sobre os postulados políticos por ele defendidos que com certeza iam desaguar no bem estar e social do povo alagoano. E os tempos passaram-se. Já fazendo o curso ginasial na minha terra natal, tive a oportunidade de conhecer com mais evidência aquele alagoano ilustre. Comecei a pesquisar a respeito da personalidade e da trajetória política do cidadão em tela. Homem sério, nascido na cidade de Rio Largo, filho de Manoel Afonso Calheiros de Mello e Lúcia de Farias Mello, estudioso das ciências jurídicas e sociais, jornalista, escritor, portador de uma bagagem intelectual invejável. Querido por todos e não desejável por uma minoria de invejosos e maus políticos preguiçosos. Como governador deste Estado notabilizou-se pela cultura que era possuidor, probidade para com o erário e as coisas públicas, respeito à cidadania e brilhante administração em beneficio do nosso povo. Foi no seu governo que nasceram os meios de comunicação mais modernos da época, construção de rodovias interligando o agreste à capital alagoana e o ensino fundamental com mais oportunidades para a juventude de nosso Estado. Há um adágio popular que afirma que à retaguarda de um grande homem há sempre uma grande mulher. Essa assertiva é verídica porque Arnon de Mello em toda sua caminhada política-administrativa sempre contou com o apoio incondicional de Leda Collor de Mello, esposa abnegada que muitíssimo o ajudou na administração de seu governo. O nome de Leda Collor foi e sempre será um referencial para a mulher alagoana. Quando jovem secretariou Lindolfo Collor, seu genitor, em suas andanças literárias. Recordo-me ainda, que nas campanhas políticas realizadas por doutor Arnon costumava o mesmo usar um terno de cor branco gelo com listras na tonalidade azul marinho, cujo tecido passou a ser popularizado e comercializado nas lojas com o nome ?Arnon de Mello?, em homenagem à aquela autoridade que só fez enaltecer e prosperar a terra dos Marechais. Diante dos fatos abordados e considerando este ano ser comemorativo ao centenário de nascimento da figura impoluta de Arnon Afonso Farias de Mello, conhecido por Arnon de Mello, não poderia em hipótese alguma deixar de tributar as minhas homenagens ao grande político em foco, mesmo sabendo que durante todo este ano fora ele alvo das mais significativas e justas manifestações tributadas pelo mundo intelectual e empresarial das Alagoas. (*) É advogado ([email protected]).