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Há palavras e gestos que ouvimos e repetimos tal qual pela vida, sem mais das vezes nos darmos conta de seus sentidos. A constância do ocorrido banaliza os atos de tal forma que nos acostumamos a não questioná-los. A aceitação se faz com naturalidade. Não há que se perder tempo em cismar com o que está posto e disposto por outrem, seja lá por quem. É da vida. Há de ser assim e pronto! Um belo dia, pode ser que nos soe estranho ? ou mesmo não! Pode ser que nos deparemos a ouvir de um jeito diferente. Certamente, estamos mais perceptíveis às palavras ou, quem sabe, mais despertos em relação ao contexto ao redor. E aí nos permitimos ao descobrimento de sentimentos, emoções, dúvidas que antes não nos afetavam os sentidos. Para mim, tal sensação (maravilhosa, diga-se!) já ocorreu por duas vezes, pelo menos com mais ênfase, e sempre pela mesma motivação ? o sentimento do pertencimento a uma determinada comunidade, ou melhor, explicitando, a compreensão nítida da comunhão. Não o conceito um tanto abstrato, pelo menos para mim, pessoa pouco religiosa, advindo do ritual que se repete a cada semana no rito católico e da qual entendo e respeito profundamente, participando quando presente à missa. Estou falando de uma sensação muito mais penetrante que me invade quando no seio de um determinado grupo, participando de um evento, qual seja, me descubro envolvida de forma absoluta e concreta ao ponto de não ser capaz de definir com precisão, mas que abraça por inteiro e me transporta para um patamar de sublime percepção dos outros ao meu redor. Sei que estou presente, assim como estão eles presentes, e todos estamos ali juntos, vivendo a mesma emoção. Há um sentimento comum, uma motivação que nos impulsiona na mesma direção, para o mesmo objetivo que, no conjunto, é maior do que o de cada um em si, mas cuja realização é a expectativa coletiva daquele grupo em especial. Foi assim a primeira vez, num longínquo Domingo de Reis, em uma capela católica em Amsterdã, a que o acaso me levou a entrar, ao dar as mãos às demais pessoas presentes. Todas absolutamente estranhas para mim, mas que comungavam da mesma fé, da mesma esperança, do mesmo amor divino, ainda que em língua ininteligível. Foi assim a segunda vez, no último domingo, na solenidade comemorativa dos 50 anos da Universidade Federal de Alagoas, meu cotidiano há 20 anos. Descobri, repentinamente, o orgulho de estar ali presente, irmanada aos colegas: professores, gestores, alunos e funcionários participando de um momento ímpar de sua história, que, modestamente, cada um e todos, em sua importância e dimensão, estamos construindo na comunhão do dia a dia. Parabéns para nós! Parabéns para a Ufal! (*) É professora da Ufal.

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