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Frankl e o sentido da vida

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Viktor Frankl, psiquiatra e fundador da logoterapia, na sua obra A presença ignorada de Deus, afirma que qualquer situação na vida nos faz uma exigência, colocando-nos uma pergunta, à qual damos uma resposta por meio de algo que fazemos, como se fosse um desafio. Essa afirmação de Frankl revela o cerne de seu pensamento: a busca de sentido. Segundo ele, o sentido da vida, do amor, da amizade, do sofrimento e da morte é algo concreto, consiste em uma atitude decidida diante das situações com as quais nos deparamos no cotidiano. À primeira vista, essa concepção de sentido pode parecer simples, mas não é. O homem tem, diante de si, duas escolhas. A primeira é viver como se a vida não tivesse sentido. A segunda é dizer ?assim seja?, fazendo a opção por agir como se a vida tivesse sentido infinito, para além de sua capacidade de compreensão. É aquilo que Frankl chama de optar por um ?suprassentido?. Não será a falta de sentido a razão pela qual amamos pouco ou amamos de forma neurótica? Não será a falta de sentido a causa da falta de lealdade às nossas amizades, o motivo pelo qual nos desesperamos diante da doença inevitável ou da morte daqueles a quem amamos? Quase sempre cremos no sentido da vida ? ou ao menos afirmamos isso. No entanto, na prática diária, comportamo-nos como ?ateus?. Não temos muito o que dizer sobre amor, dor, amizade, porque a nossa vida individual parece um amontoado de cenas de um filme que não se viu por completo, e, consequentemente, não faz o menor sentido. O homem, afinal, diz Frankl, tem a necessidade de projetar algo ou alguém para dentro do nada diante do qual se encontra. Em outras palavras, o homem se sente chamado a agir concretamente: diante do amor, doar-se; diante da amizade, confiar e dedicar-se; diante do sofrimento, encontrar rotas compensadoras para a sua dor; e, diante da morte, compreender que ali se depara com o sentido final de sua existência, e este sentido último dependerá do sentido dado à cada situação particular vivida. Optemos, portanto, em viver como se a vida tivesse um sentido. E aqui destacamos os caminhos apontados pelo próprio Frankl: pratiquemos ações humanizantes, vivenciemos as situações e as pessoas em plenitude, e, diante de uma situação que não podemos modificar, mudemos nossa atitude diante dela, transformando-nos, amadurecendo e crescendo para além de nós. Somente desse modo seremos homens e mulheres da esperança. (*) É diácono ([email protected]).

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