Opinião
Onde n�o h�, perde El-Rei
O provérbio que dá título a este artigo significa o absurdo do exagero em se estabelecer impostos acima da capacidade tributária do povo. Pagamos impostos e taxas para praticamente tudo neste País, desde a posse de um bem, carro ou casa, até aquele que somos obrigados a pagar quando alguém morre e ocorre a transmissão desses bens. Segundo estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário ? IBPT, o aumento da carga tributária brasileira em 10 anos subtraiu aproximadamente R$ 1,85 trilhão da sociedade, ou seja, meu, seu, nosso! No momento em que escrevia este artigo, o impostômetro, instrumento disponível na internet com os valores atualizados da arrecadação de tributos no Brasil, já chegara a um trilhão, centos e dez bilhões e quatrocentos e oito milhões de reais somente este ano de 2011! O Brasil possui a maior carga tributária entre os países emergentes e precisamos trabalhar quatro meses ou, mais exatamente, 123 dias para manter os gastos dos governos federal, estaduais e municipais. Quer mais? Veja só esta comparação: A Honda lança no México o novo City, sedan brasileiro produzido na fábrica de Sumaré ? SP e ele chega ao mercado mexicano com mais equipamentos desde a versão de entrada... Só que seu preço equivale a menos da metade do cobrado no Brasil, graças ao fato de que os mexicanos pagam menos impostos que nós. O carro é melhor e mais barato, ainda por cima. O pesquisador Alberto Carlos de Almeida nos informa, em seu livro O dedo na ferida: menos impostos e mais consumo, que 70% dos brasileiros não fazem a menor ideia da quantidade de impostos que pagam e 27% não sabem nem mesmo que pagam impostos. Quer mais? Segundo o Movimento Brasil Eficiente, o dinheiro arrecadado vai quase todo para pagamento de salário do funcionalismo, previdência e juros! E nossos hospitais, escolas, segurança, como ficam? Bem, essa resposta nós sabemos. Você acredita em vampiros? Se não, passe a acreditar. Não estou me referindo aos vampiros românticos que estão em moda no cinema, fazendo suspirar garotinhas de 15 anos, como minha filha Ana Luísa, e tampouco aos reais morcegos que adoram sugar o sangue de uma vaquinha no pasto. Estou me referindo ao maior vampiro de todos, real e tipicamente brasileiro, nossa imensa e faminta carga tributária! A verdade é que há algo de muito podre e não é no reino da Noruega, mas nesta república nem tão republicana chamada Brasil. (*) É promotor de Justiça e professor da Ufal.