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O zero é sem valor, se estiver à esquerda da vírgula. Zero é a negação absoluta, é abstrato. Você nem existia. Um é um número solitário, pobre, perigoso. Eu mesmo não gosto. ?Nem dentes você tinha?. Quem tem um não tem nenhum?. Dois é bom. Três é demais? Pode não ser, quem sabe? Seis é o numero ideal para se fazer trilha de jipe. Só os feras. Você começa a ler. Sete pertence aos pescadores. Só deles? Quem nunca largou uma ou mais? Oito é o numero máximo para se viajar juntos. Nem experimente diferente. Será um saco. Onze, o preferido da turma do arco-íris. Turma alegre, de toda idade. É interpretado como um atrás do outro. Sai para lá, lobisomem. Uma dúzia, só para comprar banana Os primeiros pelinhos são o seu orgulho. Treze, pode dar azar, menos para o Zagalo. Por aí vai. De dezoito a quarenta e cinco, é a glória para se viver. Vinte e quatro é representativo, associado a uma classe ciumenta. Trinta é multidão. A vida começa aos quarenta, dizem. Cinquenta é um número sério, pesado, impõe responsabilidades maiores. Idade do lobo, medo de ficar velho. A mocidade se foi. Lhe chamam de tio. Lascou. Se ganhou, ganhou, se não, fica mais difícil. Sessenta é um número diferente. No trânsito é a velocidade mais perigosa. Você bateu? Foi. Vinha correndo? Não. Vinha a sessenta. Todo o mundo diz: Você pode andar a qualquer velocidade, menos a sessenta (vá nessa não). Sessenta tem que ser um número bom. Verdade que, com sessenta anos de idade, você deseja mesmo é ter trinta. Os motivos são muitos. Começando pela pele. Ah, a pele de uma mulher de trinta. Sedosa, lisinha, brilhante, hummm. Com a pele, vêm junto os cabelos, a disposição, os sonhos à vontade. Idade boa, pois você já não se espanta com muitas coisas e está mais disponível. Ser disponível agrada. Nada como uma pessoa disponível. As mulheres gostam disso, e nós, homens, muito mais. Não podemos voltar no tempo, e o tempo traz valores e aquisições de inestimável valor, e mesmo que se pudesse, como voltar nos anos sem os filhos, sem os netos, sem os amores e experiências vividas? Para mim, não. Somos isso, carga genética e carga ambiental vivida, nossas lembranças, nosso aprendizado, nossos amigos. Somos únicos, e ao mesmo tempo iguais. Queremos as mesmas coisas, mesmo que por caminhos diferentes. Cheguei até aqui, sessenta e cinco, feliz, satisfeito, de bem com a vida. Quero ver o que tem pela frente. Vou escrever mais, tocar mais minha gaita. Nada de esperar tempos melhores. Viver agora, amar agora e fazer umas tantas quantas coisas que se quer. Opinião contrária, nem ouço. Vamos lá. (*) É engenheiro e aprendiz de gaita.

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