Opinião
Fisiocratas, Lula e o SUS
Muitos médicos e outros profissionais do ramo não cansam de espinafrar (como se, ao menos, soubessem cozinhar!) o SUS ? Sistema Único de Saúde ?, e até ironizam, quando não satirizam, nosso inconteste líder, o Lula. Entretanto, não notam ou não querem ver que o trabalho industrial, ao viabilizar a mensuração da produtividade, ou seja, a materialização do trabalho, tornou possível o empirismo da produtividade, isto é, em dado quantum de horas de trabalho, o operário produz determinado quantum de mercadorias; com a introdução das máquinas (a vapor, elétrica e agora eletrônica), esse quantum produzido alcança altíssimos índices e, consequentemente, barateia as mercadorias, inclusive a do próprio trabalhador ? a força de trabalho. Considerando que no setor de serviços não existe essa possibilidade de mensurar a produtividade, logo não há como baratear ou estabelecer um ?preço justo? para tais serviços. Daí a necessidade de planos de saúde para tentar regrar, ou mesmo separar, a picaretagem (o joio) há muito imiscuída neste setor, inclusive no educacional (do trigo). É importante lembrar que os primeiros a elaborar uma análise socioeconômica foram médicos, e faziam analogia da produção e distribuição da riqueza com o corpo humano ? os fisiocratas. Porém, é desnecessário nos distendermos aqui sobre a fisiocracia, mesmo porque, para aquele momento histórico, havia razão para este acontecimento. No entanto, é fundamental que os atuais médicos e outros profissionais compreendam que, no presente momento do mundo das mercadorias, nós, consumidores ? ?pacientes? ou não, inclusive os médicos, seja do SUS ou de qualquer plano de saúde ?, exigimos serviços à altura do ?preço justo? e não admitiremos aquilo a que se reporta Maurício Gonçalves em seu artigo Infância Drogada: crianças são drogadas em troca de benefícios. Mães colocam em risco a vida dos próprios filhos, ao entrar em esquema fraudulento de previdência que envolve médicos [psiquiatras], psicólogos, advogados, clínicas infantis e assistentes sociais. Não podemos admitir que os atuais falsos-fisiocratas (porque capachos da indústria farmacêutica) desenvolvam planos alternativos (ou ?esquemas?, como o citado na reportagem) sem passar pelo debate, pelo crivo da Universidade e da Lei, obviamente. Queremos SUSpirar aliviados, tanto da dor como do cancro social causado por profissionais, digamos serviçais, da indústria farmacêutica. Mesmo porque, grande parte da sociedade ainda chama as pessoas que vestem branco de ?dotô?, sendo esta uma forma de respeito aos profissionais dignos de assim serem chamados. Aos demais, um alerta: ao estudo já, à pesquisa, à Universidade, e que parem de levar até o cachorro do vizinho às conferências financiadas pela indústria da loucura. (*) É prof. Feac/Ufal ([email protected]).