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Opinião

O reconhecimento justo

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Das mais gratas recordações da infância estão a Praça das Casuarinas, com a música suave de seus galhos balançando aos ventos, o colégio de Dona Rosinha Pimentel, meu pai trabalhando de domingo a domingo no armazém, meu avô paterno com sua banca de bacalhau na feira dos sábados. Depois a estrada nova, asfaltada, construída por Arnom de Mello, que ligava Palmeira dos Índios ao mundo. Era o início dos anos cinquenta. Nos anos sessenta ocorreu ali um milagre: a sua Medicina passou a superar a praticada na capital; avanços em equipamentos e em procedimentos, que faziam os pacientes mais complicados de grandes cirurgias migrar para lá. Paralelamente, os melhores hospitais de Maceió recorriam ao seu Hospital Santa Rita para superar situações críticas rogando seus equipamentos. Nesta época o deputado Róbson Mendes, emboscado, foi baleado gravemente. Na emergência do hospital, o maior responsável pelo Milagre do Santa Rita, o jovem cirurgião Marcos Moraes, com o auxílio dos colegas Emílio Silva e Waldomiro Mota o operaram e salvaram, assim como tantos outros alagoanos em situação desesperadora.O desempenho brilhante de Moraes em seu torrão natal, logo despertou a cobiça de seus antigos mestres no Rio de Janeiro, que o recambiaram para lá. Ali o nordestino de Palmeira dos Índios enfrentou todas as discriminações que os seus conterrâneos geralmente enfrentam, mas seu talento ímpar o fez posicionar-se entre as maiores sumidades da Medicina nacional. Nomeado para a direção geral do Instituto Nacional do Câncer, consagrou-se como o maior gestor de sua profícua história, dando-lhe reconhecimento internacional. Preocupado com o combate ao câncer em todo o Brasil, promoveu ações que contemplaram tradicionais instituições nacionais com programas de qualidade e de reequipamento, sendo a Santa Casa de Misericórdia de Maceió, uma das contempladas com equipamentos modernos de radioterapia que na época ultrapassaram mais de dois milhões e meio de dólares e que já trataram mais de nove mil alagoanos com câncer. Marcos Moraes, incorpora a máxima de Edmund Burke: ?O exemplo é a escola da humanidade;em nenhuma outra ela aprenderá melhor?. Hoje, lá em Palmeira dos Índios, na Academia Palmeirense de Letras, Ciências e Artes, sob a dinâmica batuta da professora Isvânia Marques,ele será homenageado e recebido como novo sócio. Presidente da Academia Nacional de Medicina pela segunda vez, Marcos Moraes, honra e dignifica não só os médicos alagoanos e os seus conterrâneos de Palmeira dos Índios, como a todos os alagoanos. (*) É médico.

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