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Onde se diz um trecho de um poema com a intenção de se dizer um clichê: ?Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã? (Carlos Drummond de Andrade). Onde há o disparate de tentar explicar o clichê: Falência: essa é uma palavra próxima de definir a relação entre um escritor e a linguagem. Porque é com a falibilidade que se lida a cada instante; com o temor de como a coisa será lida, de como há um quase abismo entre aquele que diz e o seu interlocutor. Há uma impressão de que o texto é uma ponte fragilíssima. Onde se trata: Do porquê de dizer as coisas acima: Sempre que assumo um compromisso de entregar algum texto sobre alguma coisa, arrependo-me. Arrependo-me porque, sendo a palavra a minha coisa-de-eleição, lidar com ela é sempre longe de ser fácil. Seja como escritor, seja como ator, o dizer é sempre acompanhado de um enorme sentimento de derrota. Do onde: Durante anos, critiquei a academia, seus modos. Há uns dias, folheando livros científicos, fui tomado de agonia apenas por ver citações nas páginas, como me agoniam sempre, nessa seara, os rigores, os prazos, as regras, a ABNT. Mas, isso constitui a academia, dá-lhe identidade. O que devo fazer, então, é respeitar-lhe os modos e procurar meu lugar. O problema é que o onde do artista é o não-lugar. Assumir isso é difícil, mas primordial. Do tempo: Cada pessoa tem seu tempo e cada ofício tem seu quando. Ricardo Piglia, em seu Formas Breves, lembra ao leitor uma história contada por Ítalo Calvino em ?Seis propostas para o próximo milênio?. História que, segundo Piglia, ?pode ser vista como uma síntese fantástica da conclusão de uma obra?. Transcrevo-a: ?Entre muitas virtudes, Chuang-Tsê tinha a de ser hábil no desenho. O rei lhe pediu que desenhasse um caranguejo. Chuang-Tsê respondeu que precisava de cinco anos e uma casa com doze criados. Passaram-se cinco anos, e o desenho ainda não estava começado. ?Preciso de outros cinco anos?, disse Chuang-Tsê. O rei os concedeu. Passados dez anos, Chuang-Tsê tomou do pincel e, num instante, com um único gesto, desenhou um caranguejo, o caranguejo mais perfeito que jamais se tinha visto?. Onde a pessoa se despede: Não há palavra fácil para aquele que tem como instrumento a palavra.

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