Opinião
O papel das Gazetas
Pelas mais variadas mídias, a todos os instantes a sociedade é abastecida por numerosas notícias. Quer elas sejam de interesse local, nacional e mesmo internacional, ficam sempre, dependendo do grau de confiabilidade da fonte, a dúvida de serem verdadeiras ou não. Todos nós somos bombardeados e ficamos estarrecidos com o desenrolar dos acontecimentos. Uns inspiram alegrias e outros nem tanto, nos aborrecem e pensamos com os botões a exemplo dos nossos avós: ?esse mundo não tem jeito não?. É o noticiário sobre a corrupção em todos os segmentos da administração pública aquele que mais preocupa. Desvios de conduta através de comissões muitas vezes exigidas pelos funcionários dos mais graduados escalões, recursos sendo surrupiados pelos contratantes através de superfaturamentos das obras licitadas. ONGs fugindo às características de seriedade que a maioria delas praticam, criadas com fim específico de engordarem o patrimônio de seus responsáveis, fazendo ou não caixa para seu partido, ?inventam? serviços que jamais existiram. Recentemente, um senador de oposição afirmou que o governo Dilma Rousseff só pune ?o malfeito quando vira escândalo?. Questionado sobre as acusações de cobrança de propina no Ministério do Trabalho, disse ?lamentar? que todas as denúncias partam da imprensa, e não de órgãos de controle do próprio governo. Achamos que a presidente age no rumo certo e muitas das irregularidades vêm sendo sanadas mesmo antes das denúncias. No mais recente caso envolvendo o Ministério do Trabalho, nota-se exageros das partes. A prova que falta para imputar ao ministro está evidente, mas o seu apego ao cargo com frases dignas de reprovação, tais como ?só saio abatido por balas? deixa-nos com a pulga atrás da orelha. Na Câmara dos Deputados, disse em alto e bom som: ?Presidente Dilma, desculpe se fui agressivo, não foi minha intenção, eu te amo?. Devemos saber separar o joio do trigo. Nem tudo está perdido. Temos uma imprensa livre, investigativa, que denuncia os fatos merecedores de punição, um Tribunal de Contas da União vigilante apontando as irregularidades e requerendo providências. A Gazeta de Alagoas inicia nova fase de sua pródiga existência como o jornal mais lido e acreditado em nosso Estado. Acostumei-me a lê-la diariamente e, modéstia à parte, não por pertencer com muita honra ao seu quadro de colaboradores como também ao seu Conselho Estratégico, que afirmo com toda segurança, ser o seu noticiário acreditado como espécie de diário oficial, legado que deixou ao povo da nossa Alagoas, o jornalista e empresário Arnon de Mello, seu grande propulsor e inovador. Encerraram-se nesta semana as comemorações pelo centenário do seu nascimento. Em muitas palestras foram lembradas as notáveis conquistas que Alagoas obteve quando de seu governo. A realizada no Cesmac muito me envaideceu ao fazer parte de uma mesa de debates com os ilustres companheiros Douglas Apratto, José Medeiros e Carlos Mendonça. Na ocasião, relatando as inúmeras obras de grande alcance para toda comunidade, enfatizei ser sua maior obra o legado que nos deixou com a pavimentação da BR-316 até Palmeira dos Índios, aproximando o Sertão do Litoral, mantendo aceso pelos seus sucessores o desejo de executar mais, bater recordes no setor e abrindo para Alagoas as portas do futuro. As dificuldades da época com a implantação de tecnologias desconhecidas para a grande maioria, onde até o asfalto era importado da Alemanha e Venezuela, a criatividade em conseguir recursos junto ao governo Getúlio Vargas, a contratação de grandes empresas, levando-nos a uma posição invejável no rodoviarismo nacional, devemos reconhecer que o pioneirismo de Arnon de Mello foi marcante para a implantação de toda a infraestrutura que atualmente possuímos. Daí, nada mais justo do que homenageá-lo dando seu nome à Rodovia BR-316 como forma de gratidão àquele que muito realizou por Alagoas. As suas gazetas vêm palmilhando o caminho da verdade com uma imparcialidade a toda prova. Nas gazetas, estão abrigadas as mais diversas tendências de opinião e isto é salutar. Não é à toa que estou acostumado a ouvir comentários populares sobre determinados assuntos:?É verdade rapaz, tá na Gazeta?. Seus sucessores Fernando Collor e Ana Luísa, juntamente com seus amigos colaboradores Luís Amorim, Carlos Mendonça e toda família gazeteana sem exceção, fazem jus àquela afirmação aos seus filhos: ?Sou filiado a um partido político, mas as gazetas não são?.