Opinião
A PROCLAMA��O DA REP�BLICA
Busquei pesquisar as crônicas que falam sobre esse acontecimento que enche de orgulho alguns brasileiros e, sobretudo os alagoanos, por ter sido o protagonista desse fato histórico, um conterrâneo, e vejam o que encontrei. Antes de acontecer esse episódio político, o Marechal Deodoro era grande amigo do Imperador d. Pedro II. A Proclamação da República não foi um acontecimento assim tão glorioso como muitos pensam. Segundo o enaltecido escritor Machado de Assis, que era imperialista, e através de alguns amarelecidos jornais da época, o momento histórico desenvolveu-se de forma canhestra e até um tanto ridícula. Nem mesmo o povo sabia exatamente o que estava acontecendo. Alguns se preocupavam mesmo era com o que ocorria com o imperador. Machado de Assis era um dos que acompanharam, com ceticismo, o desenrolar desse evento, em 15 de novembro de 1889. A raiva de Deodoro e de outros militares e alguns políticos era, mesmo, contra o primeiro ministro, visconde de Ouro Preto a quem queriam que fosse substituído por ato do imperador. O dito ministro mostrara-se sempre um representante do poder civil aristocrático não dando a mínima importância aos militares, heróis da guerra do Paraguai e, assim, eles se julgavam postergados num governo em que haviam assumido tão importante desempenho. Ainda mais que Ouro Preto desejava, segundo os boatos murmurados nas ruas da capital, dissolver o Exército e restaurar a antiga Guarda Nacional, oligarquia dominada por fazendeiros e nobres. O ministro com seus pares achavam-se reunidos no antigo Ministério da Guerra ( que foi demolido e reconstruído ao lado da Estação Central ). O marechal Deodoro havia sido uma das figuras mais prestigiadas da Guerra do Paraguai, mas caíra em desgraça por suas desavenças com o governo civil. Dias antes se negara a tomar parte na conspiração quando havia sido procurado por alguns republicanos, mesmo porque era amigo pessoal do imperador. Não iria traí-lo. Nunca pensaria em República, assim como o povo também, enquanto d. Pedro fosse vivo. Deodoro deixou o palácio, montou em seu cavalo à frente de sua tropa que o saudou, gritando com o quepe abanando em uma das mãos: ?Viva a República! Viva a República!? O marechal terminou proclamando a República! » LYSETTE FERNANDES DE GUSMÃO LYRA ? escritora.