Opinião
A AC�DIA E OS FRUTOS DO REINO
A acídia era considerada pelos monges da antiguidade como o demônio mais perigoso que poderia atacar as pessoas, pois comprometia todas as dimensões do ser humano. Demônio era o modo como eles concebiam suas ideias e paixões negativas. Mas o que é acídia? Trata-se da perda de gosto pelas coisas, de uma sensação de tédio, uma falta de vontade, por meio da qual o indivíduo se vê impelido a dormir ou a buscar a distração da agitação. Em outras palavras: a acídia é um estado de preguiça. Sim, a preguiça é um estado da alma que precisa ser combatido. E falamos em acídia porque nas palavras da parábola dos talentos apresentada por Jesus (cf. Mt 25,14-30), certo patrão distribuiu talentos - dinheiro - a três dos seus empregados e viajou. Dois desses empregados fizeram multiplicar aquilo que receberam. Mas um deles, o que recebeu um só talento, nada produziu. E este é condenado pelo patrão. E a condenação é simples: devemos cuidar para não sermos omissos e indolentes. O empregado que nada produziu, não fez o mal, mas deixou de fazer o bem. À medida que se aproxima o final do ano litúrgico da Igreja ? este não coincide com o ano civil ? os cristãos são convidados a refletir sobre o caminho percorrido em 2011. A acídia continua sendo uma paixão arrebatadora, podendo nos levar a uma vida morosa, sem gosto e sem viço. Somos, constantemente, tentados a assumir a forma da realidade na qual vivemos, esperando, muitas vezes, um reino de Deus distante e difuso. O reino, por outro lado, não é uma época vindoura, que virá ostensivamente, como o próprio Jesus afirma (cf. Lc 17,20s). O reino é a presença do próprio Cristo nos seus discípulos. Na força do seu Espírito, Cristo é uma realidade viva nos seus seguidores. E é essa presença que nos anima a produzir frutos, a crescer na vida cristã. Somos responsáveis, portanto pela nossa vida, pela maneira como a administramos. Somos os empregados aos quais foram confiados os dons vindos do alto. Não podemos passar por esse mundo de soslaio. Nessas duas últimas semanas do ano litúrgico de 2011, repensemos nossa vida cristã. Para que possamos, no final da nossa existência e na manifestação futura de Cristo, ouvir dele as palavras do patrão dirigida aos empregados que produziram frutos: ?muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!? (Mt 25,21.23). » JOSÉ LUCIANO DUARTE ? diácono ([email protected]).