Opinião
REBELDES E AJUSTADOS
Dizia-me um veterano jornalista paranaense que, hoje em dia, as formas de coerção e controle sobre a população global combinam a repressão política e a psicologia do pânico, cuja eficácia é muito maior que nos períodos das ditaduras das décadas de sessenta a oitenta, e que tanto uma quanto outra atendem aos mesmos objetivos do grande capital e às estratégias de dominação imperial. A globalização, que se impôs à esmagadora maioria dos países por meio do projeto neoliberal, dando consequência à chamada nova ordem mundial, nessa época do mundo unipolar sob a solitária hegemonia militar, ideológica, cultural, multimidiática dos Estados Unidos, possibilitou o exercício de mecanismos autoritários totalmente legitimados. No entanto, a História vem demonstrando que essa dominação não acontece de maneira ordeira porque, ao uso da força brutalizadora, aumenta a resistência dos povos por meio de movimentos de contestação ou mesmo de insurgências contra essa hegemonia global. Já a ONU tem revelado enorme dependência financeira dos Estados Unidos, que recentemente cortaram uma gorda mesada à Unesco por ter aprovado a participação dos Palestinos em suas deliberações. Assim, as nações emergentes, especialmente os Brics, exigem uma reformulação das Nações Unidas, que, além de legitimar as agressões armadas dos EUA, corrobora, inevitavelmente, com os interesses das grandes corporações financeiras e empresas transnacionais. Com a hegemonia unipolar dos EUA e a nova ordem mundial veio a imposição de várias medidas globais draconianas contra a soberania dos países. Forjou-se, assim, uma ditadura dos comportamentos e das normas de condutas, dos conceitos fundamentalistas de consumo, hábitos, saúde, trabalho e meio ambiente. E também o multiculturalismo, que é o apartheid moderno, a fragmentação social dos trabalhadores por meio da coabitação, em separado do ambiente cultural nacional. Mas as sociedades estão se rebelando e vão sendo acusadas pelas elites financeiras e conservadoras de ?desajustadas?, porque eles, os ?ajustados?, estão lá em cima, no topo da pirâmide social, em um mundo em crise aguda profunda. A ?nova ordem mundial? passará à História como responsável por inomináveis cenas de barbárie e por um estúpido processo regressivo de civilização sem precedentes na História mais recente da humanidade. » EDUARDO BOMFIM ? advogado.