Opinião
A IGREJA PEDE PERD�O
Na Jornada de Reflexão, Diálogo e Oração pela Paz e Justiça no mundo, celebrada em Assis no dia 27 de outubro, o Papa Bento XVI, no discurso de abertura, declarou que ?na História, também se recorreu à violência em nome da fé. Mas, sem sombra de dúvidas, tratou-se de uso abusivo da fé cristã, em contraste evidente com sua verdadeira natureza, porque irmãos e irmãs entre si constituem uma única família?. Em 1997, saiu no Brasil o livro do escritor italiano Luigi Accatoli, que trazia o sugestivo título Quando o Papa perde perdão, com o subtítulo Todos os mea-culpa de João Paulo II. Neste livro, estão elencados 21 casos em que o beato João Paulo pediu perdão pelos pecados e falhas dos homens da igreja no milênio que terminava. O livro referia-se ao tratamento aos judeus, ao caso Galileu, às guerras de religião, ao racismo, ao cisma do Oriente, ao procedimento moral de alguns papas do Renascimento e outros. Numa audiência geral de setembro daquele ano, o beato Papa Wojtyla voltou a esse tema, afirmando que a igreja não teme a verdade e está pronta para reconhecer os erros, sobretudo quando se trata do respeito devido às pessoas. Mas, em nossos dias, virou moda atacar a igreja pelos casos de pedofilia cometidos por alguns sacerdotes. Num longo artigo, o bispo Dom Hilário Moser S.D.B. apresenta dados bem documentados dos fatos. Por exemplo: ?Repete-se constantemente que, nos Estados Unidos, houve 4.000 casos de abusos de menores por parte de padres católicos. De fato, de 1950 a 2002 (em meio século) 4.392 sacerdotes, sobre um contingente de 109.000 padres, foram ?acusados? de ter relações sexuais com menores. Nem todos os casos, porém, se confirmaram como pedofilia, além de haver uma série de padres inocentes, que foram barbaramente caluniados. Mas omite-se que, das 4.392 acusações (vejam bem: acusações, não sentenças de condenação), os casos de pedofilia reduzem-se a 958, das quais houve apenas 54 condenações num período de 52 anos. Repetimos: 54 condenações sobre 109.000 padres!?. No caso da Irlanda, Bento XVI escreveu uma carta duríssima à igreja daquele país, falando aos bispos de graves falhas, de erros em suas obrigações pastorais e de não aplicação das penas canônicas diante de autênticos crimes. O Papa já aceitou algumas demissões de bispos irlandeses e determinou uma visita canônica de apuração dos fatos e punição dos culpados, convidando os católicos à oração e à penitência pelos crimes cometidos. Não esqueçamos: a igreja é santa e feita de pecadores ? mas não sem pecados. » DOM EDVALDO G. AMARAL SDB ? arcebispo emérito de Maceió.